O papel de uma teologia cooperativista como instrumento de mudança social

Publicado: 06/12/2008 em Espiritualidade, Religião
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Já afirmamos no POST anterior que uma teologia cooperativista seria uma proposta alternativa à teologia da prosperidade, baseada no capitalismo e à teologia da libertação, influenciada pelo socialismo.


Hans Küng defende que “sem a ajuda das religiões dificilmente se poderia colocar em prática, e com amplo apoio, a obrigação de auto-restrição: de frear o poder, de diminuir o prazer por causa da humanidade futura”. [1]


Da mesma forma que a igreja se relaciona, dialoga e coopera com sua denominação, com igrejas com a mesma visão ou ainda com a sociedade em atividades especificas, uma teologia cooperativista poderia ser difundida a partir do diálogo inter-religioso e do diálogo com a sociedade, incentivando e investindo inclusive na formação de cooperativas como projetos de assistência social auto-sustentáveis, uma vez que na realidade atual nunca existiria emprego para todos, mas existiria oportunidade de trabalho.


O destaque é que no cooperativismo, os meios de produção, que são os geradores de riqueza não se encontram na mão do Estado como no socialismo, nem estão a serviço do capital de uma minoria. Eles se encontram pulverizados entre os membros da cooperativa, extinguindo assim, uma relação exploratória. Cabe ao Estado incentivar verdadeiramente e promover a disseminação do cooperativismo através se incentivos fiscais. Gradualmente o cooperativismo passaria a substituir o sistema vigente, pois no capitalismo se dá preferência ao menor custo e ao que tem melhor competitividade.


Por se basear na dialética, uma teologia cooperativista não se utiliza do proselitismo e assim vem de encontro com a necessidade de significado do homem pós-moderno, possibilitando seu envolvimento com o sagrado, que transcendentalmente e também através do Corpo, se revela e coopera com ele.


Ao contrário dos sistemas capitalistas e socialistas, que vivem de uma identidade proselitista e dualista, onde “eu sou o sistema correto e todos devem ser convencidos a estar do meu lado, pois o errado e injusto é sempre o outro”, através da dialética, cooperativas ao mesmo tempo em que representam um fator de transformação e reconstrução social, conseguem se relacionar e subsistir no mundo capitalista sem que haja a necessidade de uma “revolta do proletariado”, pois seu sistema simplesmente não se impõe, ele é de associação livre.


Disseminando-se o cooperativismo, seria possível também a criação de cooperativas que venham a suprir a deficiência do próprio Estado nas questões básicas de educação, saúde e segurança. Seria a construção de uma “Rede Social”. O Estado, portanto, poderia passar a ter uma estrutura mínima com funções meramente regulatórias e fiscalizadoras, ocorrendo a conseqüente e tão desejada redução da carga tributária, geração de riqueza e distribuição de renda.


Pensamento utópico? Por que não? Afinal é na Utopia o local onde as instituições são aperfeiçoadas.






[1] Retirado da resenha sobre os livros de Hans Küng Projeto de ética mundial. Uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo: Paulinas, 1992. Uma ética global para a política e a economia mundiais. Petrópolis: Vozes, 1999 feita pelo professor de Filosofia da Unisinos, José Nedel.

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