Dúvida, uma ferramenta para fé.

Publicado: 21/05/2010 em Espiritualidade
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A falta de dúvida gera orgulho, e orgulho gera queda.

Onde está o sábio? Onde está o escriba? Como podemos saber que
um sistema é válido? Um Deus compreendido não é Deus algum! Uma
revelação estática, e definitiva, não é revelação alguma. A Bíblia é a
palavra de Deus à medida em que Deus permite que seja Sua Palavra, à
medida em que Deus fala através dela no desenrolar dos tempos.

A fé cristã não é uma forma religiosa do platonismo,
aristotelianismo, idealismo, absolutismo, existencialismo, ou qualquer
outro-ismo.O cristão deve sempre questionar o que crê , e nunca
desanimar em desconstruir e reconstruir sua crença, quando necessário,
porque está convicto de que Deus é o Deus de toda a verdade.

Se há uma coisa que se destaca em nosso panorama de mais de mil anos
de debates entre os filósofos e teólogos no mundo ocidental, é que
nenhum sistema de filosofia ou teologia já se revelou completo e
perfeito. De fato, poderia ser dito que aqueles sistemas que, tais como
o Idealismo e o Dogmatismo, têm feito as maiores reivindicações quanto
serem compreensivos e completos, são precisamente aqueles que são os
mais defeituosos. Em intervalos quase regulares no decurso dos séculos,
alguém topa com uma idéia que tem algum direito a ser considerada
verídica. Passa então a ser aumentada em sistema que, segundo se pensa,
é capaz de explicar tudo. É aclamada como a chave para destravar todas
as portas. Mais cedo ou mais tarde, porém, seus defensores se acham
obrigados a negar a existência de tudo quanto a chave deixa de
destravar, ou a confessar que ela não é bem tudo quanto imaginavam que
fosse. Por algum tempo, o sistema parece arrastar tudo consigo.
Finalmente, porém, as pessoas ficam desiludidas, e experimentam alguma
novidade – Por isso sempre digo: “de omnibus dubitandum” [de tudo
duvidar] é algo para apostar.

O que freqüentemente acontece tanto na teologia quanto na filosofia,
é que alguém acha por acaso alguma coisa que já há muito tempo passado
desapercebida, ou sente a necessidade de esclarecer algum aspecto da
experiência ou de relacioná-lo com o pensamento “ pós-moderno”. Os
racionalistas do século XVII sentiam a necessidade do raciocínio claro
e da demonstração racional. Os idealistas do século XIX sentiam a
necessidade de relacionar a totalidade da experiência a uma causa
espiritual ulterior. Kierkegaard no mesmo século sentia que a
explicação dada pelos idealistas deixava fora de consideração o
indivíduo e a vida real. No século XX Cornelius Van Til, Karl Barth e
Francis Schaeffer, gastaram um bom tempo reiterando suas considerações
sem realmente explicá-las. Em todos estes casos, os respectivos
pensadores ficaram tão impressionados com seu discernimento específico
que o edificaram num sistema mais ou menos rígido que virtualmente
destruiu sua utilidade original.

Não se quer dizer com isto que nenhuma crença nunca seja válida, e
que nada possa verdadeiramente ser conhecido. Pelo contrário, nos
impulsiona a uma fé misteriosa, que eleva à Deus e sua Palavra.
Trata-se do seguinte: se há alguma coisa que devemos aprender da
história, da teologia e da filosofia, é que devemos acautelar-nos
contra adotarmos um só grupo de idéias absolutas ao ponto de excluir as
demais, e devemos ser críticos em nossa avaliação de todas elas. Assim
como nenhum ser humano por si só tem conhecimento exaustivo de toda
realidade, embora talvez tenha discernimentos parciais e válidos neste
ou naquele campo da experiência, assim também nenhuma teologia abrange
tudo. Seus discernimentos e métodos freqüentemente são tentativos e
provisórios. Talvez tenha uma apreensão válida disto ou daquilo. Seus
métodos talvez sejam frutíferos em explorar certos campos específicos.
Se porém, formos sábios, ficaremos precavidos contra sistemas
definitivos e métodos alegadamente onicompetentes de abordagem. Enfim,
nos agarraremos na dúvida, no amor, na fé e na esperança, porque Deus é
Deus, e nós somos homens.

fonte:http://nelsoncostajr.com/

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