Arquivo da categoria ‘Religião’

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Canonizando a leitura

fechando a compreensão

uma real ditadura

para ignorar a questão

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Legalismo barato

escravizando a mente

nunca estarão preparados

para deixarem o leite

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Todo voltado para dentro

sem olhar ao redor

ruindo o seu fundamento

não acham nada melhor

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

O motor é imóvel

mas também movimento

não se pode conter

nem vento nem o pensamento

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Historia, ciências, exegese, sociologia

linguagem, cultura, artes, filosofia

não são adversários ou guerreiros

mas ferramentas e parceiros

da boa teologia

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Imergindo conceitos

pressupostos e premissas

passando para a comunidade

suas verdades absolutistas

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Mitos, poemas, reinterpretações

tipos, acréscimos e diferentes datações

muita tradição oral, nem tudo é literal

testemunhando do Logos, isso sim é real

Uma viagem finita, seria racional?

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Velha lei, dizimando a graça

está em suas mãos, toda a decisão

mas sem os dois mandamentos

tudo seria em vão

É necessário pensar

e contextualizar

o crescimento das idades

confrontando-se sim, com as novas verdades

É necessário pensar

para  identificar

Figurinos comportamentais deturpando os papéis

querendo sabotar o teatro divino

resistência composta de pensadores fiéis

discernindo quem é o verdadeiro inimigo

É necessário pensar

e assim glorificar

Edificando muros sem lamentação

com o pecador reconstruir a ponte

em uma reforma constante

proporcionando as vidas amor e comunhão

com alguém no horizonte.

Não somente lá, também do lado de cá

Segue abaixo um vídeo e palestras em audio muito interessantes promovidos pelas Edições Vida Nova. 

Bate-papo sobre Igreja Emergente em: http://www.vidanova.com.br/Streaming/entrevista_emergente.asx

 

Conferência de Teologia 2010 em: http://www.vidanova.com.br/news2010/news_conferencia2010.html

k1097836[1]O pastor da minha igreja é
alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes…

“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não
ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.

Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal,  somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.

Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.

Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era – na realidade – imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa.
Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,…” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: “deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar”.

Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus  comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.

Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.

Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!

Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.

Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.

Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.

Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.

Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição. Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.

(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita “normal” não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).

Augusto Guedes reside em Fortaleza-CE, onde tem
procurado exercer ministério na vida comum, trabalhando no mercado imobiliário,
freqüentando uma comunidade de discípulos, atuando no Instituto Ser Adorador e
vivendo.

Retirado de http://www.cristianismocriativo.com.br


Proselitismo ou Evangelismo: qual a marca do evangelicalismo brasileiro?


O movimento evangélico brasileiro cresceu assustadoramente nas últimas décadas. Ainda que não sejam maioria em terra tupiniquim, os evangélicos representam uma parcela significativa entre os brasileiros — projeções dos dados estatísticos do IBGE apontam aproximados 55 milhões de evangélicos no Brasil para 2010. Durante as últimas décadas, a Igreja Evangélica cresceu mais do que o dobro do ritmo do crescimento da população brasileira.

Trazendo alegria para muitos, o avanço do evangelicalismo no Brasil suscita, contudo, uma questão importante: Este crescimento estaria relacionado ao evangelismo ou ao proselitismo promovido pelos evangélicos brasileiros?

Que o avanço da Igreja é bíblico, todos sabemos. Jesus afirmou a queda das portas do inferno, promovida pelo avanço de sua Igreja. Pregou, ainda, o estabelecimento do reino dos céus na terra. Isso, todavia, não garante que o número de pessoas cujos nomes estão arrolados nas igrejas evangélicas corresponda ao número de pessoas cujos nomes estão arrolados no livro da vida.

O proselitismo faz parte da história das religiões. E parece caminhar, muitas vezes, sem ser identificado como tal. Comenta-se, nas rodas de amigos, o sucesso de determinados ministérios pelo número de pessoas arrebanhadas “do mundo” para “a igreja”. Pouco se fala, entretanto, do movimento na direção diametralmente oposta — também comum nas comunidades evangélicas.

Por que tanto entra e sai nos arraiais evangélicos? Por que se torna cada vez mais rara a cena de pessoas verdadeiramente conscientes da liberdade promovida pelo evangelho da graça, transformadas pelo poder do Espírito, servindo a Cristo de coração, alma, força e entendimento?

Longe de esgotar as possíveis respostas às referidas perguntas, penso que muito do que acontece no evangelicalismo brasileiro deve-se à confusão entre proselitismo e evangelismo. Confunde-se “trazer alguém para o reino” com “trazer alguém para a igreja”. Pensa-se ser possível despovoar o inferno, enchendo de gente os bancos dos templos.

Acredito, inclusive, que muitos gostariam de ver acontecer em nossa nação o que o profeta Daniel vivenciou em sua história. A fim de achar culpa em Daniel, os príncipes e presidentes do reino de Dario propuseram ao rei promulgar um edito proibindo qualquer petição a homem ou deuses, que não ao rei, pelo período de 30 dias. Não cumprindo o edito real, Daniel é lançado na cova dos leões por fazer petições ao seu Deus, e não ao rei Dario.

Tal promulgação é vista como absurda pelos leitores cristãos da bíblia. Interessante perceber, contudo, que a mesma indignação não se revela na leitura do final desse episódio. Tendo visto que Daniel não foi devorado pelos leões na cova, Dario promulga um novo edito exigindo que todos se prostrem, a partir de então, ao Deus de Daniel. Sobre este ponto, os mesmos leitores — outrora indignados — rejubilam. Não percebem, contudo, que o absurdo permanece; a única diferença é que, agora, todos estão obrigados a adorar outro Deus.

É possível chamar a atitude de Dario de evangelista? Absolutamente! Sua postura não passa de proselitismo, e dos mais autoritários. Proselitismo traz novos adeptos; evangelismo gera novas criaturas. Proselitismo visa massas; evangelismo alcança indivíduos. Proselitismo faz inchar; evangelismo faz crescer. Proselitismo usa, se possível, a força; evangelismo é movido por amor.

Os dados citados no começo deste artigo me fariam sorrir, não fosse o fato de revelarem uma triste realidade. Nada tenho contra os 55 milhões de pessoas lutando por uma causa — sobretudo considerando o evangelho que dizem carregar. O que entristece é a constatação de que boa parte desta multidão encontra-se ali apenas porque mudou de lado e entrou na Igreja Evangélica. Enquanto continuarmos nos preocupando em trazer gente para o nosso gueto, o discurso do evangelicalismo brasileiro continuará proselitista, ainda que camuflado em um suposto evangelismo — longe de fazer com que celebrem os anjos no céu.

Daniel GuanaesDaniel Guanaes é pastor presbiteriano e doutorando em Teologia pela Universidade de Aberdeen, Escócia.

fonte: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=79

Começa em 17 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade de 2010.

Levará a 50 mil comunidades cristãs de todo país, uma mensagem em tom de crítica à política econômica adotada sob Lula.

O
tema da campanha será “Economia e Vida”. O lema foi extraído de um
versículo bíblico: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt
6,24).

O
texto-base inclui críticas à crescente dívida interna do país, às altas
taxas de juros, à elevada carga tributária, ao sistema financeiro
internacional e até ao PAC.

Repetindo modelo que havia sido adotado em 2000 e 2005, a campanha de 2010 terá um caráter ecumênico.

Participam, além da Igreja Católica, representada pela CNBB, outras quatro denominações religiosas:

1. Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

2. Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

3. Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

4. Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia.

Estão reunidas sob o guarda-chuva do Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil).

No trecho dedicado à divida interna, o texto da campanha anota, por exemplo:

“Apesar
dos gastos com juros e amortizações da dívida pública consumirem mais
de 30% dos recursos orçamentários do país, essas dívidas não param de
crescer”.

Com
textos e gráficos, o material do evento propõe a conscientização sobre
alguns temas econômicos que são pouco conhecidos por grande parte da
população.

O documento sustenta a tese de que a dívida limita a capacidade do governo de destinar verbas aos investimentos sociais.

A
campanha será deliberadamente associada às eleições de 2010. Deseja-se
levar as comunicades cristãs a refletir sobre a necessideade de cobrar
mudanças.

Ouça-se o que diz o secretário-geral do Conic, Luiz Alberto Barbosa, um reverendo da Igreja Anglicana:

“Escutamos o discurso oficial de que o país caminha para ser a quinta economia do mundo. Mas é preciso perguntar…:”

“…Se
o cenário é tão bom, onde estão os recursos? Ainda temos quase 40
milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e não há trabalho e saúde
para todos”.

Referências
à perspectiva de o Brasil se tornar a quinta economia do mundo foram
feitas em discursos e entrevistas de Dilma Rousseff, a presidenciável
oficial.

O
frade católico Carlos Josaphat, da ordem dos dominicanos, acrescenta
que um dos objetivos da campanha é estimular os cristãos a abandonar a
passividade.

Deseja-se,
segundo ele, combater a omissão da comunidade religiosa em relação ao
que chama de uso perverso das ferramentas da economia.

A Campanha da Fraternidade vai durar até 28 de março de 2010.