Arquivo da categoria ‘Sem categoria’

Aniversário 2 anos

Publicado: 29/06/2017 em Sem categoria

2 aniversario

LOCAL

local

Permitido crianças acompanhada dos pais

Reino de Deus

Publicado: 24/06/2015 em Sem categoria

Em breve…

Publicado: 24/06/2015 em Sem categoria

Após 3 anos, uma visão começa a ganhar corpo… Aguarde, pois Deus está operando.

Nietzsche não tem graça

Publicado: 25/03/2012 em Sem categoria

Nietzsche não tem graça from Fonte de Sicar on Vimeo.

Talmidim 188: Rede

Publicado: 14/08/2011 em Sem categoria

Dois vídeos relevantes…

Publicado: 09/03/2011 em Sem categoria

Tribalistas
Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte

Os tribalistas já não querem ter razão
Não querem ter certeza, não querem ter juízo nem religião

Os tribalistas já não entram em questão
Não entram em doutrina, em fofoca ou discussão
Chegou o tribalismo no pilar da construção

Pé em Deus
E fé na Taba
Pé em Deus
E fé na Taba

Um dia já fui chipanzé
Agora eu ando só com o pé
Dois homens e uma mulher
Arnaldo, Carlinhos e Zé

Os tribalistas saudosistas do futuro
Abusam do colírio e dos óculos escuros

São turistas, assim como você e o seu vizinho
Dentro da placenta do planeta azulzinho

Pé em Deus
E fé na Taba
Pé em Deus
E fé na Taba

Um dia já fui chipanzé
Agora eu ando só com o pé
Dois homens e uma mulher
Arnaldo, Carlinhos e Zé

Dois homens e uma mulher
Arnaldo, Carlinhos e Zé
Um dia já fui chipanzé
Agora eu ando só com o pé

Pé em Deus
E fé na Taba
Pé em Deus
E fé na Taba

O tribalismo é um anti-movimento
Que vai se desintegrar no próximo momento

O tribalismo pode ser e deve ser o que você quiser
Não tem que fazer nada, basta ser o que se é
Chegou o tribalismo, mão no teto e chão no pé

Pé em Deus
E fé na Taba
Pé em Deus
E fé na Taba


por Leandro Antonio de Lima

Um dos conceitos mais explícitos da Escritura que jamais poderia se encaixar com a mentalidade iluminista é o seu caráter indisfarçadamente paradoxal. Literalmente, paradoxo é aquilo que contraria a “doxa”, que pode ser traduzido como “louvor”, sendo, portanto, “aquilo que está certo e deve ser louvado”. Assim, a ortodoxia pretende ser aquilo que é correto, estritamente falando. Paradoxo é algo que destoa, ou seja, algo que não se encaixa perfeitamente e compreensivelmente dentro do conceito de “orto”. De certo modo, é uma contradição, mas não uma contradição clara, absoluta e absurda, e sim uma contradição porque diz respeito a coisas que não podem ser medidas com a “orto”. Diz respeito a algo que extrapola as medidas comuns, algo que está além delas.

A Bíblia é um livro que assume o paradoxo sem tentar explicá-lo. A Bíblia é um livro de histórias e tradições antigas. É composta de narrativas históricas, canções, provérbios, poemas e de correspondências entre cristãos primitivos que fazem alusão a situações específicas de suas próprias épocas. É um livro cheio de sentimentos e deve ser lido, vivenciado, interiorizado, aplicado, mas não sistematizado rigorozamente ao estilo dogmático do iluminismo e sua fixação pela verdade científica. O tipo de sistematização racionalista do iluminismo atenta contra a própria constituição da Bíblia e, por fim, só pode resultar em violência a ela própria. A Bíblia é um livro riquíssimo. Ela é a Palavra de Deus para o ser humano. Uma palavra extremamente coerente com as próprias necessidades do ser humano. A Bíblia, por exemplo, sustenta verdades paradoxais. A vida é paradoxal. O mundo é paradoxal. Nós somos paradoxais. A Bíblia nos ajuda a viver cada momento de cada vez, de acordo com nossa própria estrutura. Lendo a Palavra, é possível encontrar respostas diferentes para situações diferentes, respostas que bem podem ser contraditórias, se o objetivo fosse enquadrar a Bíblia dentro das categorias racionalistas da lógica aristotélica.

Um exemplo pode ajudar, e agora se entra novamente no mundo da teologia: a Bíblia sustenta igualmente a soberania de Deus e a liberdade humana. Ambas as concepções podem ser encontradas na Bíblia. Há textos que falam sobre os decretos de Deus, sobre a predestinação e sobre o absoluto controle que Deus exerce sobre o mundo e sobre suas criaturas por meio da providência, mas também há textos que falam que o ser humano é livre para fazer suas próprias escolhas e que é o único responsável por elas. Quem lê só os primeiros textos, diz que seu Deus sabe todas as coisas, nunca é surpreendido por coisa alguma, nunca muda de opinião e mantém tudo sob seu mais estrito e absoluto controle, e, às vezes, por isso, essa pessoa assume uma concepção teológica que poderia ser chamada de hipercalvinismo. Quem lê apenas os últimos textos percebe que, às vezes, esse Deus parece se arrepender, mudar de opinião, agir de um modo que ele próprio havia dito que não agiria e parece um tanto quanto surpreendido com atitudes do ser humano. Então, essa pessoa advoga uma posição conhecida como arminianismo. Quem está com a razão? Qual teologia está mais correta? Qual é a melhor “descrição de Deus”? As duas se baseiam em textos bíblicos, mas apenas nos textos que sustentam sua própria visão. Ambas estão erradas justamente porque querem forçar um padrão que simplesmente não há no texto bíblico. Ambas querem eliminar as exceções e fixar um modo estrito de Deus agir. Isso é iluminismo. O curioso é que a Bíblia narra que, ao mesmo tempo, Deus é soberano e o homem é livre e responsável, e faz isso num mesmo texto, e várias vezes, sem tentar harmonizar ou dar maiores explicações (Veja Fp 2.12-13; Lc 22.22; At 2.22-23).

A Confissão de Fé de Westminster captou isso perfeitamente. Uma leitura atenta do texto da confissão mostra que algumas palavras frequentemente aparecem. São elas: “mas”, “porém”, “contudo”, “todavia”, etc. Essas palavras são conjunções adversativas. Por que há tantas conjunções adversativas na Confissão de Fé? A resposta é que os teólogos puritanos de Westminster não quiseram eliminar o paradoxo. Veja um dos textos mais conhecidos da confissão:

“Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas” (III,1).

É impressionante como os teólogos de Westminster entenderam o paradoxo bíblico e não o quiseram eliminar. Isso prova que eles não foram racionalistas. Um racionalista nunca poderia sustentar as duas afirmações acima ligadas pela palavra “porém”. Um racionalista só poderia dizer que, ou Deus decretou tudo ou o homem é livre.

O paradoxo não diz respeito apenas às doutrinas da soberania de Deus e da responsabilidade humana. Deus é um ser paradoxal e isso pode ser visto em toda a Bíblia. Ele é transcendente e imanente. Tem propósitos eternos e ação temporal. É justo e amoroso. Quase sempre a sustentação dessas virtudes, principalmente como elas são descritas na Bíblia, só poderia ser considerada contraditória pela mente enciclopédica iluminista. O próprio conceito mais equilibrado sobre a inspiração atesta que a Bíblia é palavra de Deus e palavra do homem. O que é isso senão um grande paradoxo? Jesus Cristo é totalmente Deus e totalmente homem. É o logos eterno que se encarnou. É o imortal que morreu na cruz. Esse é o supremo paradoxo da Bíblia. Nenhuma descrição poderia ser mais incompreensível para uma mente puramente racional do que essa. O homem descrito pela Bíblia também é um ser paradoxal. Ele é mortal, mas tem uma alma imortal. É bom, mas é mau, pois é feito à imagem de Deus, mas é totalmente depravado em virtude do pecado. Certamente, essas descrições estão mais para a pós-modernidade do que para a modernidade.

O que se pretende dizer com isso é que o conceito de verdade sustentado pela Bíblia não tem a ver com o conceito proposicional do iluminismo. O conceito de verdade apresentado pelo Novo Testamento nada tem a ver com o conceito racionalista de algo que pode ser testado objetivamente por ferramentas cartesianas ou aristotélicas. Verdade, conforme o Novo Testamento, “não é algo abstrato nem puramente objetivo; é pessoal” (McGrath, 2007, pág. 149). A verdade chama as pessoas para um relacionamento, para um pacto. Conhecer a verdade, portanto, é muito mais do que assentir intelectualmente para algo, ou chegar à conclusão de que aquilo passou nos testes de averiguação, e sim experimentar no interior uma certeza confirmada pelo Espírito Santo que faz sentido tanto para o intelecto quanto para o coração. Grenz diz: “Não devemos deixar de reconhecer a importância fundamental do discurso racional, porém, nossa compreensão da fé não deve se limitar à abordagem proposicional que nada mais vê na fé cristã a não ser a correção da doutrina ou a verdade doutrinária” (1997, pág. 246).

Resumindo: cremos na Bíblia não necessariamente porque ela é uma fonte de verdade proposicional e objetiva, nem porque pode ser testada por critérios científicos, mas porque expressa a verdade conforme podia ser percebida nas mais variadas épocas em que foi escrita, e acima de tudo porque faz sentido para nosso ser integral, debaixo da influência do Espírito Santo. É nossa convicção que o trabalho conservador de análise da Bíblia tem feito um trabalho suficientemente frutífero no sentido de rebater as críticas iluministas e liberais à Bíblia, mas não é nossa convicção que este trabalho é suficiente para provar a verdade da Bíblia. Isso é uma tarefa do Espírito, como defendia Calvino. Trabalhar alinhado com o Espírito não é utilizar argumentos do racionalismo para justificar práticas eclesiásticas e, ou, gostos pessoais, mas esforçar-se para que essa mesma Bíblia seja compreendida pelas pessoas de hoje e faça sentido. Caso contrário, não haveria se quer a necessidade de pregação. É a própria Bíblia que enfatiza a importância da pregação, justamente porque ela é a ferramenta que faz com que a Bíblia possa ser entendida, admirada e vivenciada em cada estágio da humanidade. Senão, bastaria apenas lê-la.

Fonte:http://novocalvinismo.blogspot.com/

por Leandro Antonio de Lima

À luz dos estudos anteriores, ficamos com uma pergunta difícil para responder: Como é possível conceber esse caráter historicamente condicionado das Escrituras? A seguinte pergunta de Guthrie parece sincera e importante, embora o referido autor, às vezes, pareça interessado demais em uma flexibilidade exagerada do conceito de revelação bíblica:

Como podemos nós discernir a palavra e a obra de Deus no nosso tempo, em um livro escrito pelas e para as pessoas do antigo Oriente Próximo, as quais tinham uma concepção predominantemente hierárquica e patriarcal a respeito de Deus e da sociedade humana, testemunhavam sua fé com uma visão de mundo pré-científica, e nem mesmo sonhavam com todos os complexos problemas que temos de encarar em nossa sociedade tecnológica moderna? (2000, pág. 59).

Na verdade, podemos ir além e perguntar como será possível fazer uma distinção entre os aspectos da Palavra de Deus que são normativos para todas as épocas e aqueles aspectos que foram exclusivos para as pessoas daquela época? Não há a pretensão de responder plenamente a essa pergunta neste trabalho. Entretanto, essa pergunta precisa ser respondida e a resposta a ela pode ser o caminho para sustentar a Bíblia como Revelação de Deus para o mundo que pretende ser pós-moderno. É isso o que se chama de reconstruir os fundamentos. Na verdade, os teólogos têm feito isso o tempo todo, principalmente quando interpretam que questões relativas a usos e costumes não devem mais ser observadas hoje, porque faziam parte de uma cultura que não existe mais. Haveria mais coisas na Bíblia a se encaixar nessa categoria?

Algo que parece certo é que a verdade precisa necessariamente sobreviver ao mundo pós-moderno. O desconstrucionismo levado às últimas consequências não pode realmente ser levado a sério. A verdade tem de aparecer de algum modo, ou então, os estudos, em quaisquer níveis, serão infundados. Por isso, há base para continuar sustentando uma revelação divina para o mundo pós-moderno. Porém, é preciso eliminar a tendência de considerar a Bíblia apenas como uma fonte de doutrinas cristãs, algo como uma mina onde a Teologia Sistemática vai buscar seus recursos. Algo que precisa ser redescoberto é o caráter narrativo da Escritura. Assim, as narrativas, muitas vezes estranhas do Antigo Testamento, que descrevem o povo de Deus invadindo cidades e matando todo mundo, não precisam ser tomadas ao pé da letra como uma fonte de revelação proposicional da vontade de Deus, mas “podem ser vistas somadas umas às outras para resultar numa narração cumulativa da natureza e caráter de Deus” (McGrath, 2007, pág. 146), demonstrando assim o modo como Deus se relacionou com os seres humanos nas mais diversas épocas respeitando, até certo ponto, o nível e a capacidade de entendimento das pessoas nos momentos específicos e estágios de sua revelação. Ou seja, sempre levando em conta o caráter de “adaptação”. Como McGrath conclui, “em vez de forçar a Escritura a um molde ditado pelas preocupações do iluminismo, o evangelicalismo pode dedicar-se a permitir que a Escritura seja Escritura” (2007, pág. 146). Na prática todo mundo faz isso, pois nenhuma igreja sai por aí invadindo bairros e exterminando todos os que não são fiéis.

Um caminho que parece estar em estrita conformidade com a posição de Calvino e que faz amplo sentido para o mundo pós-moderno é apresentar a Escritura com base naquilo que ela é. Ela é uma obra do Espírito Santo. Somente o Espírito Santo pode comprová-la no coração do homem. Calvino não estava dizendo que a revelação bíblica é irracional ou errada, apenas lembrando que a realidade fundamental de Deus transcende a racionalidade humana, por isso, para se comunicar, Deus teve de se posicionar no nível daqueles que o ouviam. Assim, convém lembrar que “ao entender e expressar a fé cristã, temos de dar espaço para o conceito de ‘mistério’” (Grenz, 1997, pág. 245). Ou seja, não é possível correlacionar tudo aquilo que a Bíblia fala sobre Deus com aquilo que a ciência descobre. Então, a apologética deveria desprender-se da insistência de comprovar a Bíblia com a estrita metodologia iluminista e também deixá-la “falar ao coração” do homem pós-moderno.

É um erro insistir no apelo puramente racional por dois motivos: primeiro, porque não há, no mundo pós-moderno, um conjunto de pressupostos universais aceitos por todos (nem mesmo no “moderno” havia). E segundo, porque o apelo da Bíblia definitivamente não é um apelo puramente racional. A Bíblia se apresenta como a Verdade, não no sentido de que é um conjunto de proposições que podem ser comprovadas ao estilo iluminista, mas porque é aquilo em que se pode confiar. McGrath lembra que a raiz da palavra verdade, principalmente na língua hebraica, não se refere à noção iluminista da correspondência conceitual ou proposicional, mas como algo confiável (2007, ver pag. 149). A confiabilidade da Bíblia não se comprova por meio de lógicas cartesianas ou deduções empiricistas. Ela se comprova principalmente por sua solidez e significância histórica, pois, ao longo de milênios, tem feito sentido para um número incontável de pessoas que têm descoberto nela a verdade que satisfaz a mente e o coração.

Fonte: http://novocalvinismo.blogspot.com/