Posts com Tag ‘eclesiologia’

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Canonizando a leitura

fechando a compreensão

uma real ditadura

para ignorar a questão

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Legalismo barato

escravizando a mente

nunca estarão preparados

para deixarem o leite

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Todo voltado para dentro

sem olhar ao redor

ruindo o seu fundamento

não acham nada melhor

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

O motor é imóvel

mas também movimento

não se pode conter

nem vento nem o pensamento

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Historia, ciências, exegese, sociologia

linguagem, cultura, artes, filosofia

não são adversários ou guerreiros

mas ferramentas e parceiros

da boa teologia

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Imergindo conceitos

pressupostos e premissas

passando para a comunidade

suas verdades absolutistas

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Mitos, poemas, reinterpretações

tipos, acréscimos e diferentes datações

muita tradição oral, nem tudo é literal

testemunhando do Logos, isso sim é real

Uma viagem finita, seria racional?

É proibido pensar

não somente lá, também do lado de cá

Velha lei, dizimando a graça

está em suas mãos, toda a decisão

mas sem os dois mandamentos

tudo seria em vão

É necessário pensar

e contextualizar

o crescimento das idades

confrontando-se sim, com as novas verdades

É necessário pensar

para  identificar

Figurinos comportamentais deturpando os papéis

querendo sabotar o teatro divino

resistência composta de pensadores fiéis

discernindo quem é o verdadeiro inimigo

É necessário pensar

e assim glorificar

Edificando muros sem lamentação

com o pecador reconstruir a ponte

em uma reforma constante

proporcionando as vidas amor e comunhão

com alguém no horizonte.

Não somente lá, também do lado de cá

k1097836[1]O pastor da minha igreja é
alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes…

“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não
ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.

Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal,  somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.

Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.

Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era – na realidade – imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa.
Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,…” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: “deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar”.

Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus  comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.

Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.

Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!

Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.

Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.

Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.

Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.

Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição. Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.

(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita “normal” não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).

Augusto Guedes reside em Fortaleza-CE, onde tem
procurado exercer ministério na vida comum, trabalhando no mercado imobiliário,
freqüentando uma comunidade de discípulos, atuando no Instituto Ser Adorador e
vivendo.

Retirado de http://www.cristianismocriativo.com.br


Proselitismo ou Evangelismo: qual a marca do evangelicalismo brasileiro?


O movimento evangélico brasileiro cresceu assustadoramente nas últimas décadas. Ainda que não sejam maioria em terra tupiniquim, os evangélicos representam uma parcela significativa entre os brasileiros — projeções dos dados estatísticos do IBGE apontam aproximados 55 milhões de evangélicos no Brasil para 2010. Durante as últimas décadas, a Igreja Evangélica cresceu mais do que o dobro do ritmo do crescimento da população brasileira.

Trazendo alegria para muitos, o avanço do evangelicalismo no Brasil suscita, contudo, uma questão importante: Este crescimento estaria relacionado ao evangelismo ou ao proselitismo promovido pelos evangélicos brasileiros?

Que o avanço da Igreja é bíblico, todos sabemos. Jesus afirmou a queda das portas do inferno, promovida pelo avanço de sua Igreja. Pregou, ainda, o estabelecimento do reino dos céus na terra. Isso, todavia, não garante que o número de pessoas cujos nomes estão arrolados nas igrejas evangélicas corresponda ao número de pessoas cujos nomes estão arrolados no livro da vida.

O proselitismo faz parte da história das religiões. E parece caminhar, muitas vezes, sem ser identificado como tal. Comenta-se, nas rodas de amigos, o sucesso de determinados ministérios pelo número de pessoas arrebanhadas “do mundo” para “a igreja”. Pouco se fala, entretanto, do movimento na direção diametralmente oposta — também comum nas comunidades evangélicas.

Por que tanto entra e sai nos arraiais evangélicos? Por que se torna cada vez mais rara a cena de pessoas verdadeiramente conscientes da liberdade promovida pelo evangelho da graça, transformadas pelo poder do Espírito, servindo a Cristo de coração, alma, força e entendimento?

Longe de esgotar as possíveis respostas às referidas perguntas, penso que muito do que acontece no evangelicalismo brasileiro deve-se à confusão entre proselitismo e evangelismo. Confunde-se “trazer alguém para o reino” com “trazer alguém para a igreja”. Pensa-se ser possível despovoar o inferno, enchendo de gente os bancos dos templos.

Acredito, inclusive, que muitos gostariam de ver acontecer em nossa nação o que o profeta Daniel vivenciou em sua história. A fim de achar culpa em Daniel, os príncipes e presidentes do reino de Dario propuseram ao rei promulgar um edito proibindo qualquer petição a homem ou deuses, que não ao rei, pelo período de 30 dias. Não cumprindo o edito real, Daniel é lançado na cova dos leões por fazer petições ao seu Deus, e não ao rei Dario.

Tal promulgação é vista como absurda pelos leitores cristãos da bíblia. Interessante perceber, contudo, que a mesma indignação não se revela na leitura do final desse episódio. Tendo visto que Daniel não foi devorado pelos leões na cova, Dario promulga um novo edito exigindo que todos se prostrem, a partir de então, ao Deus de Daniel. Sobre este ponto, os mesmos leitores — outrora indignados — rejubilam. Não percebem, contudo, que o absurdo permanece; a única diferença é que, agora, todos estão obrigados a adorar outro Deus.

É possível chamar a atitude de Dario de evangelista? Absolutamente! Sua postura não passa de proselitismo, e dos mais autoritários. Proselitismo traz novos adeptos; evangelismo gera novas criaturas. Proselitismo visa massas; evangelismo alcança indivíduos. Proselitismo faz inchar; evangelismo faz crescer. Proselitismo usa, se possível, a força; evangelismo é movido por amor.

Os dados citados no começo deste artigo me fariam sorrir, não fosse o fato de revelarem uma triste realidade. Nada tenho contra os 55 milhões de pessoas lutando por uma causa — sobretudo considerando o evangelho que dizem carregar. O que entristece é a constatação de que boa parte desta multidão encontra-se ali apenas porque mudou de lado e entrou na Igreja Evangélica. Enquanto continuarmos nos preocupando em trazer gente para o nosso gueto, o discurso do evangelicalismo brasileiro continuará proselitista, ainda que camuflado em um suposto evangelismo — longe de fazer com que celebrem os anjos no céu.

Daniel GuanaesDaniel Guanaes é pastor presbiteriano e doutorando em Teologia pela Universidade de Aberdeen, Escócia.

fonte: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=79

koinonia

Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da
mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo…

Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Paulo dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Tiago dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.

Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.

Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.

Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. […] Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.

Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez
foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.

Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.

Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada… aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”.

Fonte: Vinícius de Oliveira.

Quem acredita num mundo onde cada ser e cada relação é singular não consegue se submeter a esquemas, não confia em métodos nem se impressiona com estatísticas

O que acreditamos a respeito de uma coisa determina a maneira como nos relacionamos com ela. Eu, por exemplo, gosto de brincar com cachorros, mas se percebo que um cachorro é bravo, fico longe dele; mas se é brincalhão, chego perto. Assim é também com o mundo. Antigamente, acreditava-se que o mundo era uma estrutura hierarquizada, sempre do mais complexo ou poderoso para o mais simples ou fraco, sendo que Deus ocupava o topo da pirâmide. O imaginário das pessoas era construído a  partir das relações entre reis e súditos, senhores e escravos, generais e soldados, e assim por diante. Cada um tinha seu papel e quase todo mundo se respeitava. Naquela época, a Igreja tinha autoridade, e quem não concordava com o que ela dizia morria na fogueira – mesmo que essa Igreja dissesse que índios e escravos não tinham alma e que o sol girava ao redor da Terra.


Quem acredita numa realidade estruturada a partir de autoridade e poder acha que a fé em Deus resolve tudo; afinal de contas, “agindo Deus, quem impedirá?”. Basta orar com fé e esperar a cura, a prosperidade, a volta do marido, a libertação do filho, enfim, a solução de qualquer problema. Deus manda, o resto obedece. Tudo quanto se tem a fazer é
aprender os truques para fazer Deus mandar exatamente o que a gente quer que ele mande. Surgem então as correntes de fé e as ofertas compensadoras da falta de fé, e, principalmente, os gurus que sabem manipular Deus em favor de quem paga bem. Feitiçaria pura.


Copérnico, Galileu, Newton, Einstein e sua teorias científicas fizeram com que o mundo passasse a ser visto como uma máquina, ou como um relógio, sendo Deus o relojoeiro. Neste mundo-máquina, tudo pode ser decodificado, explicado e controlado. As coisas funcionam em relações de causa e efeito previsíveis, como por exemplo as estações do ano, as
fases da lua, os movimentos das marés, a órbita dos planetas e os eclipses solares. No dia-a-dia, estas relações também são previsíveis: a partir de informações sobre massa, força, aceleração e direção, sabemos calcular em quanto tempo o carro vai se chocar contra o poste, ou qual bolinha vai acertar a amarela e qual delas vai cair na caçapa.


No mundo-máquina é possível também consertar quase tudo. Quando seu microondas pára de funcionar, basta chamar um técnico e ele vai dizer qual peça deverá ser substituída. O problema é que quem acredita que o mundo funciona assim acaba extrapolando isso para todas as suas relações: o casamento quebrou? Seu filho está dando trabalho? A vida
não está funcionando? Então, basta chamar o especialista. Quase tudo tem conserto e pode voltar a funcionar como antes. Mais do que isso, se é verdade que as relações de causa e efeito obedecem precisão matemática, basta apertar o botão certo que as coisas acontecem. Quer fazer discípulos? Quer fazer a igreja crescer? Quer evitar problemas na família? Quer garantir uma boa carreira profissional? Então, basta fazer o curso certo, encontrar o método indicado, seguir as regras apropriadas. Logo, “A” sempre conduz a “B”. Caso você faça “A” e o resultado não seja “B”, então você pensa que fez “A”, mas não fez. O mundo-máquina é assim: tudo sempre funciona direitinho – você é que nem sempre funciona.


Desta compreensão é que surgem o fenomenal ministério para fazer a igreja funcionar com propósitos; a estratégia de sete passos para fazer o ministério ser relevante; as quatro leis espirituais para ganhar a vida eterna; as técnicas de ministração para libertação espiritual e cura interior; os grupos de 12 para fazer o rebanho se multiplicar. É apostila para tudo quanto é coisa, curso para tudo quanto é treco e guru especialista para tudo quanto é tranqueira. Quase todos bem intencionados, mas geralmente funcionando como se o mundo fosse mesmo uma máquina.

Mais recentemente apareceram no cenário algumas teorias elaboradas a partir de outras percepções das ciências da física e da biologia. Na mecânica quântica, os movimentos não são tão previsíveis quanto na mecânica newtoniana. Então, o mundo já não é uma hierarquia nem uma máquina, mas um organismo vivo. As palavras mais adequadas para
descrever a realidade são “teia”, “rede”, “arena”, e até mesmo “dança”. A realidade é complexa e os fenômenos naturais e sociais não são previsíveis nem manipuláveis. As pessoas são singulares. Basta verificar que dez pessoas que ganham na loteria reagem de dez maneiras diferentes. Os relacionamentos também são singulares. Dez casais que ganham um filho reagem de dez maneiras diferentes. Da mesma forma, dez igrejas que iniciam um projeto reagem de dez maneiras diferentes. Seres vivos não são padronizáveis. Eles não obedecem relações exatas de causa e efeito. Seres vivos não são coisas. E a vida não é exata.


Quem acredita no mundo como um ser vivo onde cada ser e cada relação é singular, não consegue se submeter a esquemas, não tem a pretensão de gerenciar pessoas, não confia em métodos e nem se impressiona com
números, estatísticas e probabilidades. Prefere outros caminhos. Escolhe o caminho da intimidade com o outro; encanta-se com o mistério do sagrado; maravilha-se com a diversidade; presta atenção no jovem em conflito; ouve os dramas do homem que não pára em emprego; fica em silêncio diante da dor e se ajoelha para orar antes de dar um passo sequer em qualquer direção. Esses não se dão muito bem com o Deus-general, ou o Deus-relojoeiro. Curtem mais o Deus-bailarino.


Ed René Kivitz

é escritor conferencista e pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo
Fonte: http://www.eclesia.com.br/colunistasdet.asp?cod_artigos=426

É proibido pensar

Publicado: 08/10/2009 em Religião
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É Proibido Pensar


Composição: João Alexandre

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

A extravagâncias vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções

Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça
Negociando com Deus

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquês universal
Se apossando do céus

Estão distantes do trono, caçadores de deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.

É proibido pensar (5x)

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições

Meras repetições
É proibido pensar

5. A PÓS-MODERNIDADE PROPRIAMENTE DITA
Grenz declara que a pós-modernidade surgiu no dia 15.7.1972, às 15:32, com um projeto de arquitetura moderna, nos Estados Unidos . A pretensão é absurdamente ridícula, típica de norte-americano que presume que tudo de importante nasce em seu país. Nem se pode levar a sério tal afirmação, de tão tola que é. As raízes culturais da pós-modernidade remontam aos movimentos estudantis de 1968, na França. Na realidade, as mudanças culturais vêm mesmo é da velha Europa. O refluxo chegou até o Brasil, com a contestação estudantil ao regime militar instalado no País desde 1964. Mas os contextos eram diferentes. Aqui foram de ordem política. Lá, ordem cultural, de cansaço com a maneira antiga de ver o mundo. Também não se pode ignorar a força do movimento hippie, nos anos sessentas. Eles contribuíram grandemente para as mudanças culturais a seguir. Desprezando a tecnologia, buscando uma vida mais rural, pondo de lado o materialismo e a ganância da cultura capitalista, os hippies, com seu bordão de “paz e amor” foram o estopim do pós-modernismo. É necessária uma análise mais séria, menos passional, deste movimento. Seu envolvimento com drogas levou os conservadores a estigmatizarem-no como destrutivo. Para os evangélicos, na sua visão maniqueísta do homem, eram demoníacos. Para os simpatizantes, o movimento ainda é pintado com cores românticas. Desapaixonadamente, pode-se dizer que foi uma reação a um modo de vida mundano, grosseiramente materialista e dominado por estruturas que subjugam o homem e lhe põem um traje para envergar sem que ele possa questionar. Foi uma reação de jovens ao estilo de vida de seus pais.

A rigor, a pós-modernidade é uma reação à modernidade. O milênio por esta prometido não chegou. O crescimento econômico não beneficiou a maioria, mas aos que beneficiou, trouxe uma profunda crise existencial, por incrível que pareça. Mas é até bíblico. “Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e próspera ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado” (Ez 16.49). A riqueza sem o lastro cristão traz a ganância, e o viver em função de bens traz a indiferença para com os necessitados. Surge a ociosidade, mãe de todos os vícios e irmã de muitas frustrações. Pobre não tem tempo de ter crise existencial. Tem que sobreviver.

Abastados têm tempo para frustração e tédio. E caem neles. Dinheiro não enche a alma de significado.

Os filhos do século das luzes, bafejados pela cultura iluminista, viram duas guerras mundiais, viram o massacre de seis milhões de judeus, viram nascer e puseram sua esperança no marxismo e descobriram, desapontados, que dele surgiu uma das mais cruéis ditaduras da história, viram um capitalismo desumano e muita hipocrisia religiosa. Viram Ruanda e Angola. Viram o massacre da Praça da Paz. A mudança histórica prometida não surgiu. O paraíso não chegou. A Náusea, de Sartre, ilustra bem o sentimento de revolta e indignação surgido em muitas mentes. O mecanicismo de Newton não se fez sentir na área social. As coisas não funcionaram tão ordeiramente, tão matematicamente, como se esperava. O homem moderno se sentiu desorientado. Poucas palavras podem se aplicar tão bem à sua situação como um trecho de uma música de Chico Buarque de Holanda: “eu nem sei pra onde eu vou, mas continuo indo”. Falando em música, John Lennon estava enganado: o sonho acabou. Nada deu certo. A pós-modernidade é uma reação contra as promessas não cumpridas. O mundo se tornou pior. Como bem disse o teólogo Metz, “a ciência não pode produzir um único gesto de amor”. A fé na tecnologia produziu indiferença e cinismo. O homem foi esquecido, o humano foi desprezado.

O mito do futuro melhor se esboroou. Ele era a base da modernidade. A pós-modernidade é uma reação contra ela. E começou a nascer não na construção de uma casa, como ingenuamente declara Grenz. Mas começou a nascer quando se viu a impossibilidade de se mudar o mundo. Marx achava que não se devia mais interpretar o mundo e sim transformá-lo. Os pós-modernistas descobriram que é impossível fazê-lo. Podem até não negar as teses de Marx, mas negam sua solução. Na realidade, o mundo, para eles, não tem solução. Por isso, Faus declarou muito bem que a pós-modernidade não se limita unicamente a suceder no tempo a modernidade, mas reage ( e de forma bem dura) contra ela. Por isso, é mais antimodernidade do que pósmodernidade .

Vimos que uma das conseqüências da modernidade foi a secularização. A modernidade colocou a técnica no lugar de Deus. Colocou suas esperanças na educação do ser humano. Chegou a confundir, muitas vezes, capacitação tecnológica com educação. O regime militar brasileiro, por exemplo, acabou com o curso clássico e com o ensino de Filosofia e Ciências Sociais e nos deu os cursos profissionalizantes. O Brasil necessitava, urgentemente, de tecnologia, para entrar numa fase de desenvolvimento. A utopia humana, afinal de contas, viria pela Ciência e pela técnica. Educar era capacitar tecnologicamente. A pós-modernidade modificou, mais uma vez, o cenário humano. Perdeu a utopia.

Perdeu os ideais. Sacralizou o fático (de fato) e renunciou a combater ou mudar as injustiças sociais. Bem o diz Gondim: “A maior denúncia que se faz aos filhos da pós-modernidade é que abandonaram o ideal e renderam-se ao consumismo” . A pós-modernidade assimilou as injustiças sociais, deu-as como irremediáveis.

Então, cada um na sua, cada um que aproveite o que puder. Só que, com este lema, o mundo se torna cada vez menos habitável, menos humano, e cada vez mais selvagem. Guardadas as proporções, pode-se dizer que a pós-modernidade é um neo-existencialismo, mas mais cínico que este. Duas frases de Sartre podem ilustrar bem a época em que vivemos, a época pós-moderna: “o inferno são os outros” e “o homem é uma bolha vazia no mar do nada”. Então, cada um na sua, cada um que se vire por si. A diferença é que, tomando carona numa idéia de Faus, no existencialismo, havia a preocupação com “a insustentável leveza do ser”, que Milan Kundera expressou bem no romance deste nome. Na pós-modernidade há a “insustentável leveza do real” (não a nossa moeda, mas o que é). O mundo é assim e sempre será assim. Para quê lutar? Vamos viver.


6. BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES, SÍMBOLO DO PÓS-MODERNO
Lyon , em feliz abordagem, nos mostra o filme Blade Runner, o caçador de andróides como uma amostra do que seja a pós-modernidade. Na realidade, o filme é bem emblemático do movimento. Os andróides são seres quase-pessoas, produzidos pela bioengenharia. Vivem fora do mundo e são chamados de “replicantes”. Eles vêem à Terra para lutar contra a empresa que os criou. Sua queixa é que têm apenas quatro anos de vida e querem mais. Querem ser equiparados aos humanos, dos quais são réplicas perfeitas. O caçador de andróides é Deckard, cuja função é seguir suas pistas e eliminá-los. Os replicantes não são robôs. São um simulacro de gente. Eles têm uma vida rápida, curta e muito agitada. Os testes para determinar se são gente ou andróides são variados. A andróide pela qual Deckard se apaixona é Raquel. Ela apresenta uma foto da mãe, o que o leva a supor que é uma pessoa. Uma máquina que tem família. E Deckard, o herói do filme, é um humano solitário. São as contradições do mundo pós-moderno.

O cenário em que o filme se processa é uma cidade em ruínas. Tudo que era imponente agora está demolido. O cenário é de absoluta decadência. A tecnologia é de ponta, está em seu grau mais elevado, mas a vida é triste. Montes de lixo entulham as ruas. Há uma garoa cinzenta constante que quase torna o filme em preto e branco. As ruínas da cidade mostram colunas gregas, romanas, dragões chineses, pirâmides egípcias e cartazes de Coca-Cola. Toda a cultura humana se faz presente e toda ela está em ruína. O próprio tema musical do filme é melancólico.

Em que ele é um símbolo da pós-modernidade? A tecnologia se sobrepõe à humanidade. Os homens criaram máquinas que os substituem e que são suas inimigas. Os replicantes querem ser gente, mas a prova de sua vida é uma fotografia, claramente construída, forjada, artificial. A mensagem do filme é clara: o mundo científico é uma ilusão e o progresso humano está em ruínas. A cidade onde o filme acontece não é identificada. Pode ser qualquer uma, qualquer cidade populosa do mundo industrial. Afinal a vida é igual em todos os lugares, sem qualquer traço de pessoalidade. Há transporte a oitenta metros de altura do solo, mas o ambiente é de desintegração e caos. O filme mostra que a tecnologia não redimiu o mundo. Pelo contrário, arruinou-o. O herói se apaixona por uma máquina, semi-humana. Até o personagem principal está desorientado, é alguém iludido. As máquinas ocupam o lugar das pessoas e a cultura produzida em milênios está em ruínas. O mundo físico é caótico, mas o enredo também é.

7. CARACTERÍSTICAS DO PÓS-MODERNISMO QUE MAIS NOS AFETAM
Com esta visão de Blade Runner, podemos caminhar um pouco pela pós-modernidade. Alistemos, agora, algumas características do que é este movimento. Vejamos nelas as marcas de caráter que muitos dos adolescentes e jovens que recebemos nas igrejas trazem consigo. E como elas nos afetam, em nosso testemunho de Jesus Cristo.

1º) O colapso das crenças. Quer seja a fé, quer seja o crer na educação, quer seja o aceitar a cultura até então afirmada, há uma descrença em tudo que se afirmou até então. Não crêem que seja verdade que o estudo pode melhorar a vida das pessoas e o mundo. Há desinteresse pela herança passada. Tudo é visto como não funcional, como não resultável, não produtor de bons resultados. Um Ronaldinho, que mal consegue fazer uma sentença gramatical articulada, ganha muito mais que um cientista. E sem jogar futebol há muito tempo! É mesmo um fenômeno. Vive da mídia. Vale mesmo a pena estudar? Mas voltando à questão das crenças: não há um conjunto de valores. O que se faz é desmantelar as regras e as estruturas.

2º) A busca de novidades exóticas. Numa música espanhola se ilustra isso muito bem: “Cada noite um rolo novo. Ontem o ioga, o tarô, a meditação. Hoje o álcool e a droga. Amanhã a aeróbica e a reencarnação” (Cómo decirte, como cóntarte). No dia em que digitava esta parte, 8 de abril, na televisão se passava uma reportagem sobre o consumo de uma droga chamada ecstasy, em festas de jovens. Normalmente as novidades são contra o estabelecido, e as drogas, muito mais. Veja como a mídia cria mitos, cria conceitos, projeta sempre o que é contra os estabelecido. Um exemplo é a exaltação do Islã em uma novela recente, da Globo. Os evangélicos, enquanto isso, são ridicularizados. Esta atitude surge por causa dos dois itens seguintes.

3º) A descrença nas instituições. As instituições sociais falharam em seu propósito de prover um mundo melhor. Os governos, a família, a escola, todos eles falharam. O jovem não crê na declaração romântica do educador de que está formando mente e educando para o futuro. Não vê o professor encarar a profissão como um sacerdócio, mas como um ganha-pão. Não vê a escola como um lugar agradável nem crê no seu discurso de que estudando a pessoa pode ter oportunidades. Há milhares com diploma na mão e subempregados. Também não crê nas igrejas porque os escândalos são muitos. A igreja dos anos noventas não produz homens e mulheres santos, mas pessoas preocupadas com dinheiro. O vulto mais importante que a igreja evangélica dos anos sessentas legou à humanidade foi o pastor batista Martin Luther King Jr, Prêmio Nobel da Paz. A igreja evangélica dos anos oitentas apresentou ao mundo o bispo anglicano Desmond Tutu, que também recebeu o Prêmio Nobel da Paz. A igreja evangélica dos anos noventas é mais conhecida por Edir Macedo que por qualquer outro personagem. Este não ganhará nenhum Nobel. Para o homem pós-moderno, os governos não são honestos nem a classe política é íntegra. A família, via de regra, é um inferno na sua vida doméstica cotidiana. Isso se vê na legião de meninos de rua que fogem de casa e preferem um estilo de mendicância, superior ao que têm em casa. A autoridade nunca é bem vista. É sinônimo de opressão.

As pessoas desejam ser livres. É o desdobramento do existencialismo, como foi mostrado num filme dos anos sessentas, Cada um vive como quer. As pessoas são senhoras de suas vidas, sem convenções, sem compromissos e sem autoridade. E as igrejas evangélicas são, hoje, mais instituição do que comunhão. O aspecto institucional e uma maior importância à ordem e à lei do que à vida nos colocam em desvantagem. Os regulamentos e o “está errado” falam mais alto que a celebração da vida.

Falando em existencialismo, sua relação com a pós-modernidade pode ser descrita nem duas pichações em uma igreja, na França. O existencialista pichou assim: “Deus morreu. Viva Marx”. O pós-moderno pichou por baixo: “Marx também morreu. E eu estou gravemente enfermo”. Depois de termos visto “a morte de Deus” para o homem poder se afirmar (tese central do existencialismo), vemos agora a morte do homem. Cabem bem, aqui, as palavras de Veith: “O modernismo tinha assumido o projeto da morte de Deus. David Levin mostra como o pós-modernismo dá o passo seguinte. Conservando a idéia de que Deus está morto, o pós-modernismo assume como projeto próprio a morte do eu”.

4º) A necessidade de escandalizar. É uma maneira de agredir as pessoas e de se defender delas. Escandalizam com a conduta, com a recusa às regras, na indumentária e no visual. A própria maneira de se vestir mostra desleixo e até falta de asseio. Gasta-se muito dinheiro para se comprar uma roupa rasgada. Vestir-se mal e como mendigo é sinal de estar na moda. O pós-moderno rejeita padrões. Costumo dizer que adolescente não se veste, apenas se cobre. É aquela bermuda que não se sabe se é uma calça comprida do irmão menor, porque ficou no meio da canela, ou se é uma bermuda do irmão maior porque ficou pouco acima do tornozelo. Todo mundo é igual: o boné virado para trás, um tênis encardido no pé e uma blusa de frio amarrada na cintura. Isto porque querem ser diferentes. Copiam-se uns ao outros na sua diferenciação. Um piercing dá um toque a mais. Julgam-se diferentes, mas são clones uns dos outros.

5º) Um estilo individualista, hedonista e narcisista. Os jovens de hoje são individualistas, embora vivendo em “tribos”. Vivem sua existência. Não se espere deles patriotismo ou rasgos de idealismo. São hedonistas, vivendo em função do prazer, não necessariamente sexual, mas a busca do que lhes é agradável. São narcisistas, no sentido de olharem mais para si que para o mundo. Isto não é uma prerrogativa exclusiva deles, mas de toda a cultura pós-moderna. O social e outro são irrelevantes. O que vale é o próprio indivíduo.

6º) A falta de uma cosmovisão. O pós-moderno não tem uma cosmovisão nem mesmo posturas coerentes. É a pessoa que nega a existência de Deus, mas que crê em energia vinda de um cristal. Que nega a historicidade de Jesus, mas acredita em duendes. Agem assim porque as cosmovisões são explicações totalizantes do mundo, trazem respostas cabais e últimas. “Nenhuma certeza pode ser imposta a ninguém”, diz o pós-moderno. Recusando uma cosmovisão, uma visão integrada, as pessoas fazem uma crença tipo picadinho. Tudo está bom, tudo está certo. Ao mesmo tempo, isto não faz diferença. Cada um faz sua crença e sua religião. O valor último ou padrão aferidor é a própria pessoa. Foi isto que o roqueiro brasileiro, Raul Seixas cantou: “Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião sobre tudo, tudo”. As pessoas não têm mais uma visão determinada do mundo.

7º) A perda do sentido de história. Não existe uma história unificada, produto da visão cristã que impregnou o Ocidente e lhe deu direção. Existem acontecimentos isolados, histórias de pessoas que se cruzam entre si, sem nexo, sem ligação. Uma visão global da vida não existe. Existe uma visão fragmentária.

Pensa-se no hoje, no fato de agora. Perdeu-se a visão de um passado, um presente e um futuro integrados. O pós-moderno opta pelo efêmero, pelo modismo, pelo fragmentário, pelo descontínuo. Com isto, a vida não tem sentido histórico nem dimensão linear. É para ser vivida agora, numa dimensão pontilear.

8º) A substituição da ética pela estética. O dever cede lugar ao querer. As escolhas são privadas e não mais ligadas à sociedade. A capacidade de viver e de desfrutar o belo substituiu a responsabilidade. O negócio é experimentar sensações, cada vez mais fortes, cada vez mais dinâmicas. Nada de sentimento de culpa ou de valores. Viver é fazer o que me agrada. Em outras palavras: ninguém tem nada com a minha vida. Ninguém se prende afetivamente a alguém.

9º) A crise de pertença, ou seja, a necessidade de pertencer a alguma coisa, se tornou mais aguda, nesta situação. A maldição sobre Caim foi tirar-lhe a pertença. Ele seria sem raízes, geográficas ou sociais, um nômade, um errante, um peregrino, andante. O homem necessita pertencer a alguma coisa. É uma profunda carência existencial. Precisa pertencer a uma igreja, um clube, uma associação, etc. Como a crise de pertença surgiu logo vieram os relacionamentos “lights”, imediatistas, sem ligações profundas, manifestadas no sexo efêmero e casual. O instinto substitui o afeto. Cada semana, uma pessoa. Pertence-se a uma “tribo”, mas se refugia no anonimato de relações via Internet.

10º) A característica a seguir é a mais forte, em termos de nosso trabalho: a pluralidade ideológica e cultural. Nossa época é uma época de síntese. As pessoas querem ter posições, mas querem concordar com tudo. A pessoa tem uma cultura tecnológica, de informática avançada, mas crê em florais, astrologia e numerologia. Não tem convicções, mas conveniências. Seu credo é mais produto de ajustes de convivência do que de convicção pessoal. Pode-se ter grande zelo pela ecologia e desprezo pelo humano. As crenças e posturas são casuais e produto de circunstâncias. O evangelho pode ser verdade, mas é verdade para uma pessoa e não para outra. Há tantas verdades como pessoas.

Cada uma tem a sua, cada uma faz a sua. Dei um folheto evangelístico a uma pessoa, folheto que falava de Jesus. A pessoa me disse que não cria nessas coisas. No vidro de seu carro brilhava um adesivo: “Eu creio em duendes”. Mas o maior problema está hoje no pentecostalismo. Ele está minado pelo paganismo e ele invade nossas igrejas., com esta sua contaminação. Quero citar um pastor da Assembléia de Deus, sobre este ponto:

Na América Latina, as religiões pagãs populares vão se incorporando aos rituais pentecostais. Pede-se ao diabo para se manifestar, com o objetivo de exercer poderes exorcistas sobre ele, mapeiam-se as moradias demoníacas por causa da influência da cosmovisão pagã de que os poderes malignos tomam posse de lugares. Os objetos supersticiosos, como óleo ungido, rosas sagradas e a água do rio Jordão, passam a ter o mesmo valor no Cristianismo que na religiosidade popular pagã.

A linha entre paganismo e pentecostalismo, principalmente no baixo-pentecostalismo, tem sido apagada. Este é um dos mais sérios problemas para nós. Nossos crentes assistem aos programas da Universal, onde os fundamentos do protestantismo são negados. O sacerdócio universal de cada crente, a graça por causa do amor de Deus, o fato de que Deus não se deixa subornar, são negados nas suas práticas exóticas. Ao mesmo tempo há a idéia de que uma água benzida pela oração do pastor tem fluidos mágicos. Tudo isto entra na cabeça de nosso povo. Há uma paganização do movimento evangélico hoje. A crença tipo picadinho está muito forte nos segmentos mais baixos do movimento evangélico.

8. COMO PREGAR E EDUCAR UMA IGREJA NESTE CONTEXTO
É uma situação desvantajosa para o pregador, que sempre é um educador, geralmente produto de outra cultura. Muitas vezes ele mesmo vive em conflito por causa do choque cultural. Foi criado num estilo, mas já assimilou padrões de outro estilo. Como pregar numa sociedade pós-moderna?

1º) Lembrando que temos valores eternos, como cristãos, que somos. Há valores temporários, locais e mutáveis. Há valores inegociáveis. O pregador e o pastor necessitam ter uma cosmovisão cristã completa, saber de sua fé e de seus valores e vivê-los. Muitos pastores não têm uma visão global do mundo, e, o que pior, muitos não têm sequer uma visão global de sua fé, sabendo encaixar o mundo nela, analisando o mundo por ela. Sua fé é atomizada, de pequenos credos, sem uma visão holística do evangelho. Sem ver o evangelho como uma cosmovisão, uma explicação global do mundo. Isto é trágico para um pastor. Ele observa a vida cristã por um determinado dom, por uma visão de ministério, pelo modismo contemporâneo, de igreja com propósito ou outro qualquer. Sem uma visão global do evangelho fica difícil analisar o mundo.

2º) Nossas comunidades, sejam igrejas sejam congregações, não podem se fiar apenas na repressão. Devem ser comunidades calorosas, sadias e honestas. As pessoas devem ser ouvidas e levadas a sério. Devem ver seriedade no trato, rigor com respeito. O jovem continua necessitando de balizas, de norte. Busca um guia-líder confiável. O que leva jovens a se envolverem com seitas exóticas como Moon e alguns pastores que promovem a autolatria? É que esses líderes os aceitam e lhes servem de referencial. Nossas igrejas podem oferecer este ambiente ao jovem? Ela é agradável ou é um fardo? O pastor pode ser um referencial, no sentido de ser uma pessoa que sabe o quer e para onde vai? O estilo de vida do pastor é entusiasmante? Ou ele é um profissional de religião?

3º) Coerência é fundamental. A frase é do papa Paulo VI, mas nem por isso deve ser tida como inválida, muito pelo contrário: “Os jovens de hoje não querem mestres, querem testemunhas”. Querem pessoas que creiam nos valores que propagam. O pastor digno do nome é alguém que busca ser modelo. Há pastores que não amam as pessoas, mas o seu ministério, o seu trabalho, sua filosofia ministerial e, algumas vezes, o reino de Deus. Isto não é errado, mas se não ama gente terá grandes dificuldades em seu trabalho. Outros têm o ministério apenas como ganha-pão. Coisificam pessoas e pessoalizam idéias e conceitos. “Vem para o meio”, disse Jesus ao homem da mão mirrada. O educador e o líder cristão que se prezam colocam a pessoa no centro. Amamos nossos templos, nossos prédios, nossas instituições. Mas e as ovelhas? São apenas um detalhe aborrecedor e irritante? Conheço pastores intratáveis. Há líderes apaixonados por si e com comichão nos ouvidos e também na língua, desejos de ouvir novidades e espalhá-las. Mas não ligam para as pessoas. Elas apenas fazem parte do seu trabalho, do seu ministério. Isto é grave. As pessoas sabem quando são usadas e manipuladas e sabem quando são aceitas e amadas, mesmo que discordemos delas.

4º) Precisamos amar o que fazemos. Uma das questões mais atacadas pela pós-modernidade é exatamente a hipocrisia dos líderes, com um discurso e com outra prática. Gente tem valor, é preciosa, e lidar com gente pressupõe amá-las. Pastorear pressupõe amar o trabalho que se faz. Pode-se fazer algo mecanicamente em uma linha de montagem, sem amar as máquinas e os parafusos. Mas lidar com gente sem amá-las e sem amar o trabalhar com gente, é sinal de fracasso. O amor ao que se faz dá forças para superar as crises e capacidade para se atualizar. Digo que pastorado é uma atividade que só pode ser feita passionalmente. Deve ser feito com coração. As marcas ficarão na vida das pessoas que entrarem em contato conosco.

5o) A igreja precisa dar respostas relevantes para a vida real das pessoas. Não vou entrar em área de conteúdo teológico, mas que respostas nossas igrejas estão dando para a vida? Em um culto voltado para jovens, o pregador convidado falou por quase 50 minutos sobre dicotomia ou tricotomia. Segundo ele, este era um assunto palpitante, com o qual ele estava “muito preocupado”. E daí? Que diferença isto faria para os jovens? Pregamos o que gostamos ou o que as pessoas precisam ouvir? O púlpito está dando respostas sérias ou é um falatório sobre religião? Pregamos apenas assuntos ou pregamos uma pessoa, Jesus, que tem respostas para a vida das pessoas? Com que estamos preocupados? Com assuntos que nos dizem respeito ou com as necessidades dos ouvintes? De que se ocupa o púlpito? De Cristo ou de política denominacional. Para que o usamos? Para glorificar a Cristo ou para enviar recados aos outros?

6º) A fé precisa ser viva numa igreja. Parece banal, mas tem nexo no que quero dizer. A igreja deve expressar o caráter cristão nas suas relações e no seu ambiente. O pós-moderno necessita ver uma igreja batista como uma instituição séria, espiritual, coerente em sua fé. Ele está cansado de dicotomia entre conduta e fé. Farto de fingimentos. O jovem pós-moderno clama, no dizer de Faus, nos seguintes termos: “quem me vende um pouco de autenticidade? A espiritualidade continua fora do culto? Cantamos o corinho “esta igreja ama você” na hora de saudar o visitante. Mas, acabado o culto, temos interesse nele? Se trouxer um problema a igreja está mostrará que o ama? A fé e os relacionamentos aparecem apenas na hora do culto ou permeiam a vida das pessoas?

7o.) O púlpito precisa ser cristocêntrico. Cristo precisa voltar a ser o centro e o interesse da pregação. Valorizam-se dons, exalta-se o Espírito Santo, mas a segunda pessoa da trindade tem sido esquecida na sua própria Igreja. A IURD trocou a cruz pela pomba. Outro dia, pela tevê, dizia um pastor pentecostal: “Cristo é o canal para nos trazer o Espírito Santo”. Que mudança doutrinária! E João 14 a 16, que fazer deles? E a cruz, onde colocá-la? Um púlpito bíblico, exegético, com Cristo no centro, é uma necessidade insuperável da igreja. Preparando um ano de lições de EBD para minha Igreja, sobre Teologia Sistemática, entre na maior livraria evangélica de Campinas para adquirir livros sobre Cristologia. Queria alguns além dos que tenho. Não encontrei um, um sequer. Mas encontrei quarenta e dois, sim, quarenta e dois, sobre batalha espiritual, sobre demônios, quebra de maldições. Temos um contraste doloroso. A Igreja é de Cristo mas está fascinada por demônios. Temos um Cristo que salva, que perdoa, mas que é fraco e é incapaz de livrar a pessoa do poder de demônios. Só o sacerdote baixo-pentecostal pode fazê-lo. Cristo precisa voltar a ter a primazia em nossa ensino. Cristo precisa voltar ao primeiro lugar no púlpito. Chega de estrelismo humano e de exotismo doutrinário!

8º) A Igreja precisa de rumo. Mencionei anteriormente que o pós-moderno é pragmático e não idealista, que pensa localmente em vez de globalmente. Isto está acontecendo com as igrejas. A Igreja deixou de ser a comunhão dos santos e só se pensa em mega-igreja. Um amigo meu, a quem muito respeito, sentiu-se tocado por Deus para um trabalho na periferia de S. Paulo com bêbedos e macumbeiros. Em dois anos tinha convertidos para organizar uma igreja. Ele tem trabalho secular, não precisava de sustento pastoral e o seu grupo alugou um salão onde se reunia. Como bom batista, procurou uma igreja para ser a organizadora de sua congregação em igreja. Não queriam um centavo porque podiam se manter. Só queriam uma igreja que fosse a organizadora. Enviou cinco cartas a igrejas de amigos. Não obteve respostas. Aliás, uma respondeu: “Deus não nos deu a visão de organizar outras igrejas”.

Isto aconteceu. Não criei a história. A visão é local e não global. O espírito é pragmático: vamos gastar energias em organizar uma igreja na periferia? Devemos concentrar nossos esforços em ter uma igreja grande no nosso bairro de classe média. Dá mais status. A visão é ser uma mega-igreja. Neste afã, doutrinas e posições históricas são sacrificadas por métodos esquisitos e antibíblicos, desde que estes dêem certo. O que vale é o pragmatismo de ajuntar gente, de ter uma “igrejona”. A Igreja precisa de rumo. Ela não precisa de novos propósitos como alguns parecem interpretar. Jesus já deixou propósitos para sua Igreja. Basta ler Mateus 28.18-20 e Marcos 16.15. Que uma igreja deve ter rumo e delinear bem seu propósito ministerial, isto é indiscutível. Mas isto não é novo. É neotestamentário. Não criemos novos rumos nem nos desviemos dos traçados pelo Senhor da Igreja.

Talvez mais questões poderiam ser alistadas aqui. Mas creio que, mostradas as linhas da pós-modernidade, não será uma tarefa difícil pensar em como trabalhar cristãmente dentro das suas características. Mas, sem resvalar para a pieguice, a frase de nosso irmão do passado, Tiago, pode nos ajudar: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1.5). Um pastor, um pregador, um educador cristão se preparam espiritualmente, diante de Deus, para cumprir sua tarefa.

Que o façamos, portanto.

À GUISA DE CONCLUSÃO – ALGUMAS QUESTÕES PARA PENSARMOS

1ª) Tenho a preocupação de vanguardear, de marcar a vida das pessoas, de deixar lembranças positivas, ou vejo meu ministério apenas pelo aspecto de cumprir uma missão?

2ª) Considero-me, como pastor, um produto acabado ou procuro entender meu tempo? De que forma o faço? Que evidência tenho para provar isso?

3ª) Que características do pós-modernismo estou a ver em minhas ovelhas, mais comumente? E na minha conduta?

4ª) Estou na pré-modernidade, com o peso da autoridade? Entrei e vivo na pós-modernidade, com o peso das evidências? Como reajo à contestação e como me situo para responder aos desafios pós-modernos?

5ª) O que está no centro de minha visão pastoral?

6ª) Qual a minha visão de Igreja e qual o uso do púlpito que faço?


BIBLIOGRAFIA SOBRE PÓS-MODERNIDADE

BUARQUE, Cristóvam et alli. Fé, Política e Cultura- Desafios Atuais. S. Paulo: Edições Paulinas, 1992
CAPRA. Fritjof. O Ponto de Mutação. S. Paulo: Cultrix Editora, 1988.
ECO, Umberto, A Ilha do Dia Anterior. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora Record
FAUS, José Ignacio. Desafio da Pós-Modernidade. S. Paulo: Paulus, 1995
FORD, Kevin Graham. Jesus Para Uma Nova Geração. S. Paulo: Candeia, 1998
GALBRAITH, John Kenneth. Anatomia do Poder. S. Paulo: Pioneira Editora, 1988
GASTALDI, Ítalo. Educar e Evangelizar na Pós-Modernidade. S. Paulo: Editora Salesiana Dom Bosco, 1994
GONDIM, Ricardo. Fim de Milênio: Os Perigos e Desafios da Pós-Modernidade na Igreja. S. Paulo: Abba Press, 1996
GRENZ, Stanley. Pós-Modernismo. S. Paulo: Edições Vida Nova, 1997
KILPATRICK, Educação Para Uma Civilização em Mudança. 15ª ed. Rio de Janeiro: Edições Melhoramentos, 1978.
LYON, David. Pós-Modernidade. S. Paulo: Paulus, 1994
SANTOS, Jair Ferreira. O Que é Pós-Moderno. S. Paulo: Editora Brasiliense, 17ª ed. 1997

Escrito por Ariovaldo Ramos

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.42-47).

No versículo 45 (“Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”), há um princípio de ação da igreja de Cristo, que é absolutamente moderno, absolutamente revolucionário, absolutamente de vanguarda, embora tenha sido praticado há dois mil anos. E que princípio é esse? É o princípio do direito.

A filantropia está sustentada no postulado de que a pessoa que a exerce abençoa o necessitado segundo suas posses. É o filantropo quem decide o que vai doar, quando vai doar e em que quantidade vai doar. Esse é o princípio da benemerência.

Porém, está escrito: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. O princípio aqui é que o necessitado dava o tom da ação da igreja. A igreja se via como responsável por suprir a necessidade dos irmãos. O princípio do direito está estabelecido. Não é a igreja que determina com quanto vai ajudar, nem como vai ajudar e nem quando vai ajudar, é a necessidade do beneficiado que impõe à igreja o que esta tem de fazer. Fica aqui estabelecida uma relação de direito e dever, na qual o necessitado era visto como um sujeito de direito e a igreja era vista como sujeito de dever. É dever da igreja satisfazer a necessidade do irmão carente.

Esse princípio, há 2.000 mil anos, era uma revolução, mesmo porque o direito só veio a ser realmente pensado com mais critério a partir do século 18. Até então, a idéia de direito era algo inexistente, com exceção de um lugar: a igreja primitiva. Isso é absolutamente revolucionário e significa que a igreja de Jesus Cristo foi o primeiro instituto humano a trabalhar com a premissa do direito. O caminho que a igreja escolheu na época foi a comunização, ou seja, todo mundo vende seus bens, coloca aos pés dos apóstolos, e estes administram o montante para satisfazer a necessidade de todos. O princípio com o qual a igreja trabalhava, portanto era o princípio da igualdade. O apóstolo Paulo diz em Coríntios, de forma literal, para ajudarmos os outros, de maneira a satisfazer as necessidades do outro. Esse princípio do direito desenvolveu na igreja uma série de considerações muito interessantes. A primeira diz que o princípio do direito está estabelecido que o irmão necessitado tem o direito de ser satisfeito na sua necessidade. Basta você se lembrar que os diáconos só existem porque a igreja tinha o primado do direito. As viúvas helênicas reclamaram que não estavam sendo satisfeitas no seu direito de serem assistidas. Os apóstolos então se reuniram e decidiram que era preciso constituir um corpo de ministros que se dedicasse única e exclusivamente a manter esse estado de direito vigendo.

A igreja primitiva estava milênios à frente do seu tempo, pois elegeu um corpo de ministros, sete pessoas, da melhor qualidade na igreja, com um único objetivo: manter a justiça social, não permitir que ninguém fosse preterido na satisfação das suas necessidades. Essa era a visão da igreja primitiva. Baseado nessa mesma visão, o apóstolo Paulo disse que o princípio era que, aquele que colheu demais não tenha sobrando para que o que colheu de menos não sinta necessidade, e o objetivo não é que um seja pesado ao outro, mas sim que haja igualdade. Isso significa que a igreja tinha um outro conceito,  todos trabalhando por todos. Havia, dessa forma, na igreja primitiva um sistema de trabalho com um objetivo comunitário. O apóstolo Paulo, em Efésios, diz: “Aquele que furtava não furte mais, antes trabalhe para que tenha com o que acudir ao necessitado.” O que é muito interessante. Se este versículo fosse escrito da seguinte maneira: “Aquele que furtava não furte mais, antes trabalhe para que tenha com que pagar as suas próprias contas”, achariamos muito bom. Mas ele foi muito mais longe. Com isso o apóstolo Paulo está nos ensinando na Bíblia que, o contrário de roubo não é honestidade pessoal, é responsabilizar-se pelo patrimônio do outro, para que o outro tenha patrimônio. Essa colocação é absolutamente lógica, porque a igreja se vê como um corpo, e a idéia de corpo é que está todo mundo trabalhando para todo mundo. Pense: qual é a parte mais importante do seu corpo num determinado momento? Aquela parte que estiver doendo ou ferida, porque todo o corpo vai estar voltado para ela. Todo o seu esforço estará voltado para tal parte. Se você levar um pisão, o seu corpo todo só vai pensar no seu pé, e vai fazer tudo em função do seu pé. Se você for um daqueles marceneiros desastrados e meter uma martelada no dedão, o seu corpo todo vai viver para o seu dedo. Para o seu polegar. Qual é o princípio do corpo? O princípio de que todos trabalham por todos. Você não diz: “Eu estou com um problema aqui no dedão do pé, mas não tem problema, eu tenho mais nove e não estou nem um pouco preocupado se eu perder esse aqui”. Nunca ouvi ninguém falar isso. Você pode tentar ser o primeiro, mas eu não te aconselho! Porque não é esse o princípio da igreja, o princípio da igreja é o princípio do corpo. A igreja primitiva levou isso a ferro e a fogo na época.

Eu não estou sugerindo a retomada das estratégias que a igreja primitiva usou. Eu estou tentando chamar a atenção para um princípio. Em cada geração, em cada lugar, em cada época esse princípio vai ter de ser trabalhado pela igreja de então. para descobrir como a igreja de agora pode trabalhar esse princípio.

A existência de um movimento como o RENAS é a consciência de que alguém tem um direito que não está sendo satisfeito, observado. Alguém tem necessidade que não está sendo satisfeita. Alguém tem uma carência, e esse ser tem o direito de ser assistido. Esse é o princípio da igreja de Cristo, sempre foi.

Todos nós estamos cooperando uns com os outros, de modo que somos responsáveis uns pelos outros. Na mutualidade cristã, eu sou responsável por você e você é responsável por mim. E quando for a vez de eu socorrê-lo, eu o socorrerei e quando for a sua vez me socorrer, você me socorrerá. Tem-se assim uma cooperativa.

Pelas palavras de Paulo, a igreja primitiva é uma cooperativa. Você tem que entrar na cooperativa cristã, viver a vida cristã é viver em cooperativa. É dito que não se pode amordaçar o boi que debulha o trigo (uma frase que é do Antigo Testamento, retomada no Novo Testamento), ou seja, você tem de deixar o boi comer dos grãos que ele está debulhando. É o princípio de que o trabalhador tem que ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Paulo diz isso de forma tácita nas cartas pastorais, quando ele afirma que o trabalhador é digno do seu salário e tem de participar daquilo que está produzindo. Ou seja, a igreja primitiva é a primeira que tem a noção da participação do trabalhador na distribuição de lucros, como nós diríamos hoje, porque o trabalhador tem o direito de participar do fruto do seu trabalho. Nessa concepção do Novo Testamento, o sujeito não pode ser simplesmente contratado, explorado em sua força de trabalho e aí dispensado sem ter qualquer acesso ao que ele ajudou a produzir, ou seja, a produção não é algo que se faça numa relação de prestação de serviço, pura e simplesmente. A produção é um projeto que tem de ser comum ao que elaborou o projeto e ao que participa da execução do mesmo, que o torna possível. Ao ler as Escrituras com isso em mente, você percebe que entrou num negócio ultra de vanguarda. Porque a igreja pode ser o instituto mais antigo da terra, mas é o que sempre esteve na vanguarda. E ainda hoje as concepções que estão no Novo Testamento, as concepções da igreja primitiva estão a frente do nosso tempo. Quando lemos as escrituras, percebemos que há um sistema de pensamento nas mesmas, as frases não estão soltas. Isso porque fomos influenciados pelo grego, que é retórico. Porém, o hebreu não é retórico, a cultura hebraica não é uma cultura de retórica. É uma cultura de revelação, de trazer à luz a vontade de Deus, a Palavra de Deus. A palavra para o hebreu é sagrada; para o grego é um instrumento de convencimento, de argumentação.

Eu li certa vez uma série de palestras que Borges, um escritor argentino, deu numa universidade. Ele diz, entre outras coisas, que o livro é um débito que o mundo tem para com a tradição judaico-cristã. Todo mundo pensa que o livro é produto dos gregos. Isso não é verdade, porque os gregos não valorizavam o livro da maneira como acreditamos. Ele cita, inclusive, Pitágoras, que exigia que os seus discípulos não escrevessem nada, porque entendia que a idéia, uma vez escrita, morria. Para esse pensador, a vida da idéia estava na tradição oral, em ser mantida viva na cabeça dos seus discípulos. A tradição judaico-cristã é que diz que o livro é tão sagrado, que, até Deus resolveu escrever um. Então se você quer que alguma coisa permaneça, se você quer que alguma coisa tenha realmente vida e vá para além de si, você tem de escrever um livro. Isso quem ensinou, disse Borges, foram os cristãos. Os muçulmanos, uma derivação da tradição judaico-cristã, nos disseram que temos que escrever um livro se quisermos que a coisa seja perene.

Estudei com um professor de uma faculdade hebraica. Discutimos sobre Maimonides, o principal filósofo da Idade Média. Aquele professor tinha uma tese muito interessante, ele dizia o seguinte: o Ocidente não é o resultado do encontro da tradição judaico-cristã com a tradição greco-romana. O Ocidente é o resultado do confronto entre a tradição judaico-cristã e a tradição greco-romana; essas duas tradições se encontraram na história e entraram em choque. Ele descrevia assim: Alexandre, na sua campanha de helenização do mundo, não encontrou obstáculos, até chegar no Oriente Médio. Quando chegou em Israel, encontrou outra cultura capaz de opor-se à dele, que tinha os seus sábios, seus profetas, seus poetas, suas teses, sua cosmologia, sua antropologia e sua ontologia. Quando Alexandre e seus seguidores começaram a abrir Platão, Sócrates, Parnêmides, etc. os judeus começaram a abrir Isaías, Jeremias, Ezequiel, Davi, Moisés contrapondo-se à filosofia helênica. Os helênicos diziam: “o homem é assim” e os judeus diziam: “não, não é assim, é assado”. Os gregos falavam: “porque os deuses…” e os judeus diziam: “não há deuses, há um Deus só”. Quem escreveu isso da forma mais impressionante, na minha opinião, foi o professor de filosofia Will Durant. Ele expôs da seguinte maneira: Júlio César e Jesus de Nazaré se encontraram no Coliseu romano, e Jesus de Nazaré venceu. A fé cristã está sempre na vanguarda, a tradição judaico-cristã está sempre na vanguarda.

Eu queria chamar a atenção de vocês para o fato de que estamos na vanguarda da questão do direito, da questão da cooperativa, da questão da economia solidária. Há dois mil anos nós estamos dizendo que o necessitado é um sujeito de direito, e portanto tem de ser satisfeito na sua necessidade, que o trabalho humano tem de ser cooperativo, que o segredo é a solidariedade e o alvo é a igualdade. Por isso, e nesse sentido, a fé cristã leva uma vantagem. Quando a tradição judaico-cristã estabelece o princípio do direito e da cooperativa, relativiza a posse do meio de produção. Porque não importa quem esteja atuando ou administrando os meios de produção, pois estes sempre possuem um fim social. É a idéia dos dons: nós temos dons diferentes, ministérios diferentes, mas somos uma cooperativa. Não importa quem está administrando, pois está administrando para todos; não importa quem está carregando, está carregando para todos; não importa quem está abrindo caminho, pois está abrindo caminho para todos. Porque a oração cristã é o Pai Nosso, ou seja: ninguém entra na presença de Deus sozinho. Todo mundo fala pessoalmente com Deus, mas não solitariamente, a gente sempre entra com os irmãos. Ou entra com os irmãos ou não entra, porque a oração é Pai Nosso. Não dá para dizer Pai Nosso se você não se sente parte de algo muito maior do que você, se você não se sente parte de uma comunidade. Não dá para dizer Pai Nosso, se você não aprendeu a se entender apenas e tão somente a partir da comunidade. Porque essa é a grande virtude da fé cristã, entre outras.

A fé cristã é absolutamente gregária, absolutamente comunitária. Não nos entendemos mais como indivíduos isolados. Todo pão é pão nosso; todo perdão é perdão nosso; toda vitória é vitória nossa; todo produto é produto nosso, toda benção é benção nossa e todo o resultado é resultado para nós. Porque nós sabemos que a verdadeira identidade de cada um está no relacionamento. Você é no meio de todos, você precisa ser percebido e perceber, e você está inserido numa dinâmica comunitária. Queria então chamá-los à atenção para o fato de que esse é um princípio que está nas Escrituras desde sempre, e fiz questão de só citar o Novo Testamento, pelo menos majoritariamente, porque a maioria de nós que falamos sobre justiça social, recorremos ao Antigo Testamento, aos profetas menores, etc. Está tudo certo, mas às vezes passa a impressão de que aqueles que têm esse discurso têm um discurso velho testamentário. Por isso menciono o Novo Testamento, pois é nele que temos o princípio do direito, é nele que está o princípio da cooperativa e igualdade. É no Novo Testamento que está o princípio da comunidade e do homem coletivo. Então, paro por aqui, revisando o que foi dito. Primeiro: que a igreja primitiva trabalhava com a noção do direito, foi o primeiro instituto humano a trabalhar com essa noção. O ser necessitado é um ser de direito, ele tem o direito de ter a sua necessidade satisfeita e a igreja se via no dever de satisfazê-la. Segundo: a igreja tinha o princípio da cooperativa, todos trabalhando por todos. Então, quando Paulo disse “aquele que não trabalha, não coma”, ele não estava fazendo uma crítica capitalista. Ele estava fazendo uma crítica a partir da cooperativa. O que Paulo está dizendo é que você tem que estar na cooperativa. Você não pode chegar só para desfrutar dos benefícios, a menos que você tenha capacidade de trabalho. Se você tem a capacidade de trabalho, você está na cooperativa, onde todos trabalham para ter com o que acudir ao necessitado. Para que o necessitado, uma vez recuperado, entre na cooperativa. O objetivo é a igualdade e os dons, e os ministérios são dados nessa perspectiva.

Embora com dons e ministérios diferentes, temos um só alvo, um só objetivo. Essa é a mutualidade cristã. Como podemos perceber, Jesus Cristo não semeou apenas gente nascida de novo, ele também semeou uma sociedade nova, inclusive uma sociedade cujo princípio de autoridade não era mais o poder, mas o serviço. Quando notamos que por trás da mensagem de Cristo e de seus apóstolos há um conceito cooperativo profundo, o princípio da autoridade estar sustentado no princípio do serviço faz todo o sentido. Então, quem quiser ser o maior entre todos, seja servo de todos, que é o princípio da cooperativa, o trabalho para todo mundo e por todo mundo.

Imagine então a dinâmica que Jesus Cristo preparou, que Jesus Cristo semeou e trouxe à luz em suas mensagens, em sua pregação e em seu estilo de vida. Ele trouxe à luz uma revolução! Uma revolução de amor que gera uma cooperativa tão eficaz que, nem quando o sujeito entra no seu quarto para orar ao seu Deus, ele sai da cooperativa pois quando começa a falar com o seu Deus dizendo “Pai Nosso, que estás nos céus”; ele não se vê mais fora da cooperativa, ele está nessa roda extraordinária de mutualidade. Isso foi pregado por Paulo em Efésios 6, que diz para orarmos por todos os santos, é para suplicarmos por todos os santos o tempo todo.

Nenhum apóstolo de Cristo tinha uma visão que não fosse cooperativa. Nenhum apóstolo de Cristo falou fora do princípio cooperativo. Somos um: a comunidade, o corpo de Cristo, a Noiva, o exército de Deus, a cooperativa. Cristo é o cabeça, nós somos os membros do seu corpo, ele exerce o seu domínio no universo através do corpo dele, que é comandado por ele e que é uma cooperativa entre si. A sinalização do Reino é justamente a transmutação desses valores, levando-os de dentro da comunidade cristã para toda a realidade humana. Foi assim que os cristãos derrotaram o Império Romano. Eles criaram e viveram em um sistema alternativo, e à medida que eles iam crescendo, isso ia solapando as bases do Império, e quando este se deu conta, os cristãos tinham derrubado a estrutura. Imagine que você é um romano e está no campo choramingando, chega um escravo seu e diz: “Senhor, o que está acontecendo?” Aí você desabafa, ele fala de Cristo e você leva um susto. Você entrega a vida para Cristo, aí ele fala da reunião da igreja. Daí você vai para a reunião da igreja e quando você lá chega, aquele escravo, seu escravo, é o seu presbítero. Como você acha que vai ser o seu relacionamento com ele na segunda-feira? A escravidão acaba ali! E aí os outros romanos e os seus amigos chegam e começam a notar que tudo é comum. Os seus escravos entram na casa como se a casa fosse deles, eles conversam entre si, você conversa com eles de igual para igual. Então o seu amigo romano diz: “escuta, o que está acontecendo aqui? Você deixa os seus escravos andarem assim?” E você é obrigado a dizer: “eles não são mais meus escravos, eles são meus irmãos. Acabou-se o sistema. Agora nós somos parte da mesma cooperativa de Cristo, nós estamos trabalhando uns pelos outros, tudo aqui é de todos nós. Acabou o sistema, pronto”. É você dar três séculos que o mundo romano está desesperado, sem saber o que está acontecendo, os imperadores desesperados, percebendo que o Império não está mais nas mãos deles. Foi isso o que Jesus Cristo semeou e que os apóstolos dele fizeram. Como nós somos os seguidores contemporâneos de Jesus, acho que é de bom tom voltarmos a sentar diante das Escrituras para perguntar: “Senhor, então como é que nós devemos viver? O que é que somos realmente? Por que é que o Senhor tem nos abençoado, mesmo?” Quem sabe nós redescubramos a revolução cristã. A extraordinária, insuperável e ilimitável, porque movida e sustentada pelo Espírito de Deus. É isso o que eu queria deixar para vocês pensarem. Já que nós estamos falando de desenvolvimento sustentável, eu queria deixar claro para vocês que o pessoal não está inventando a roda, eles estão subindo na nossa carruagem.