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Jardim

Publicado: 15/08/2010 em Espiritualidade, RELIGION
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Por Rubem Alves

Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos "conhecimento de palavras e ignorância da Palavra". A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria."(Clique aqui para você ler um texto sobre jardins)

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma… Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas… São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.

Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu – constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada… Um dia você terá saudades… Vocês, então, saberão…" É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas… O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante… E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…" Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos…

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera… Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios… E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas… Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio… E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."

A falta de dúvida gera orgulho, e orgulho gera queda.

Onde está o sábio? Onde está o escriba? Como podemos saber que
um sistema é válido? Um Deus compreendido não é Deus algum! Uma
revelação estática, e definitiva, não é revelação alguma. A Bíblia é a
palavra de Deus à medida em que Deus permite que seja Sua Palavra, à
medida em que Deus fala através dela no desenrolar dos tempos.

A fé cristã não é uma forma religiosa do platonismo,
aristotelianismo, idealismo, absolutismo, existencialismo, ou qualquer
outro-ismo.O cristão deve sempre questionar o que crê , e nunca
desanimar em desconstruir e reconstruir sua crença, quando necessário,
porque está convicto de que Deus é o Deus de toda a verdade.

Se há uma coisa que se destaca em nosso panorama de mais de mil anos
de debates entre os filósofos e teólogos no mundo ocidental, é que
nenhum sistema de filosofia ou teologia já se revelou completo e
perfeito. De fato, poderia ser dito que aqueles sistemas que, tais como
o Idealismo e o Dogmatismo, têm feito as maiores reivindicações quanto
serem compreensivos e completos, são precisamente aqueles que são os
mais defeituosos. Em intervalos quase regulares no decurso dos séculos,
alguém topa com uma idéia que tem algum direito a ser considerada
verídica. Passa então a ser aumentada em sistema que, segundo se pensa,
é capaz de explicar tudo. É aclamada como a chave para destravar todas
as portas. Mais cedo ou mais tarde, porém, seus defensores se acham
obrigados a negar a existência de tudo quanto a chave deixa de
destravar, ou a confessar que ela não é bem tudo quanto imaginavam que
fosse. Por algum tempo, o sistema parece arrastar tudo consigo.
Finalmente, porém, as pessoas ficam desiludidas, e experimentam alguma
novidade – Por isso sempre digo: “de omnibus dubitandum” [de tudo
duvidar] é algo para apostar.

O que freqüentemente acontece tanto na teologia quanto na filosofia,
é que alguém acha por acaso alguma coisa que já há muito tempo passado
desapercebida, ou sente a necessidade de esclarecer algum aspecto da
experiência ou de relacioná-lo com o pensamento “ pós-moderno”. Os
racionalistas do século XVII sentiam a necessidade do raciocínio claro
e da demonstração racional. Os idealistas do século XIX sentiam a
necessidade de relacionar a totalidade da experiência a uma causa
espiritual ulterior. Kierkegaard no mesmo século sentia que a
explicação dada pelos idealistas deixava fora de consideração o
indivíduo e a vida real. No século XX Cornelius Van Til, Karl Barth e
Francis Schaeffer, gastaram um bom tempo reiterando suas considerações
sem realmente explicá-las. Em todos estes casos, os respectivos
pensadores ficaram tão impressionados com seu discernimento específico
que o edificaram num sistema mais ou menos rígido que virtualmente
destruiu sua utilidade original.

Não se quer dizer com isto que nenhuma crença nunca seja válida, e
que nada possa verdadeiramente ser conhecido. Pelo contrário, nos
impulsiona a uma fé misteriosa, que eleva à Deus e sua Palavra.
Trata-se do seguinte: se há alguma coisa que devemos aprender da
história, da teologia e da filosofia, é que devemos acautelar-nos
contra adotarmos um só grupo de idéias absolutas ao ponto de excluir as
demais, e devemos ser críticos em nossa avaliação de todas elas. Assim
como nenhum ser humano por si só tem conhecimento exaustivo de toda
realidade, embora talvez tenha discernimentos parciais e válidos neste
ou naquele campo da experiência, assim também nenhuma teologia abrange
tudo. Seus discernimentos e métodos freqüentemente são tentativos e
provisórios. Talvez tenha uma apreensão válida disto ou daquilo. Seus
métodos talvez sejam frutíferos em explorar certos campos específicos.
Se porém, formos sábios, ficaremos precavidos contra sistemas
definitivos e métodos alegadamente onicompetentes de abordagem. Enfim,
nos agarraremos na dúvida, no amor, na fé e na esperança, porque Deus é
Deus, e nós somos homens.

fonte:http://nelsoncostajr.com/

k1097836[1]O pastor da minha igreja é
alguém de quem eu gosto muito. Certo dia, fui surpreendido com a notícia de que ele fora demitido das suas funções, o que me levou a perguntar: Mas, por quê? Foi quando um amigo, que é da liderança, passou a me contar com detalhes…

“Na realidade, nem sabemos bem como explicar todo esse processo. Ao mesmo tempo em que nos sentimos frustrados com o desenrolar dos acontecimentos, por ser ele uma pessoa que aparenta não
ter sequer um defeito, temos a sensação do dever cumprido por observarmos que ele nunca iria preencher o perfil exigido para a função de pastor da nossa igreja. Se nos relacionamentos ele é uma pessoa nota “mais que mil”, em muitas outras áreas ele deixa a desejar. E o pior é que observamos não se tratar de incompetência, mas de opção.

Acredito que a decisão de demiti-lo foi acertada no sentido de preservar a nossa igreja, afinal,  somos seus guardiões, e, assim, tínhamos a responsabilidade de tomá-la o quanto antes.

Seu ministério conosco teve início de uma forma surpreendente. Estávamos sem pastor e a simples convivência com ele nos cativou de maneira tal que o seu reconhecimento à função tornou-se irresistível para nós. Foi quando descobrimos a nossa primeira divergência: enquanto achávamos de fundamental importância a sua confirmação nas funções eclesiásticas, de acordo com os nossos normativos, ele afirmava não ser necessário e até agia com certo desprezo. Mesmo assim, o seu pastoreio parecia ser indiscutível e unânime no seio da comunidade, o que entendemos como direcionamento de Deus. Terminamos abrindo mão – Que equívoco! Depois disso as coisas só pioraram. Há muito ele já vinha “pisando na bola” em várias situações, inclusive com a inversão de vários valores.

Ao invés do púlpito, ele preferia estar à mesa. Desejávamos ter um grande pregador para os nossos cultos públicos, e ele o era – na realidade – imbatível. No entanto, por várias vezes delegou a sua atribuição a outros, preferindo estar nas casas dos irmãos ou nos bares e restaurantes da vida, comendo e bebendo em meio a uma boa conversa.
Segundo ele próprio, esse era o seu principal ministério: “a oportunidade de ensinar, aconselhar, encorajar, ouvir, chorar com os que choram,…” Quando perguntávamos por ele no meio da liderança, já havia até a resposta irônica: “deve estar por aí, de casa em casa, de mesa em mesa, de bar em bar”.

Aliás, nessa coisa de viver comendo e bebendo com as pessoas, chegou a sentar-se com muita gente que não devia. O pior é que várias dessas pessoas se converteram e não vieram para a nossa igreja. Ele só pregava o arrependimento e não uma adesão comprometida conosco e com a nossa visão. É verdade que, desses, todos mudaram radicalmente seus  comportamentos, alguns abriram trabalhos sociais, passaram a promover reuniões caseiras ou, em seus ambientes de trabalho, tornaram-se intensos evangelistas. Muitos se reconciliaram com pessoas a quem tinham ofendido, pediram perdão, pagaram dívidas; mas só isso, apenas isso.

Aos invés de solenidades, ele preferia o informal. Facilmente abria mão de reuniões, cultos e até rituais fundamentais, como por exemplo, o batismo. Nunca batizou ninguém. Enquanto achávamos ser sua responsabilidade tal ordenança, ele delegava sempre aos outros, ensinando que todos, como sacerdotes, podiam fazê-lo em nome do Pai, do Filho e do Espírito. O mesmo acontecia com muitas outras atividades que julgamos pertencerem apenas àqueles investidos da autoridade pastoral. Na ministração da ceia, nunca se opôs à participação das crianças, nem exigiu o pré-requisito de ser membro da nossa igreja. Na verdade, nunca estabeleceu critérios tanto para a participação quanto para a ministração. Apenas encorajava uma busca por comunhão entre os irmãos e reconciliação com Deus, mediante o arrependimento, e o conseqüente comer do pão e beber do cálice. Há quem diga que ele instruía a celebração da ceia, independente do dia e do local, e não apenas no templo.

Quando resolvemos votar uma remuneração pelos seus serviços prestados, outra vez nos decepcionamos. Esperávamos negociar um valor, enquanto para ele qualquer oferta valia. Desejávamos ter um bom administrador, mas parece que ele não sabia sequer administrar os seus próprios bens. Bastava encontrar alguém necessitando de alguma coisa para, de imediato, fazer uma doação. Internamente lutamos muito com isso, pois sempre procuramos lhe pagar bem, um bom salário, digno de um executivo de alto nível, o top da nossa sociedade. Mesmo assim ele nunca comprou sequer um carro. Já pensou? Andando sempre de carona? Isso não fica bem para um pastor. Queira ou não ele é nosso representante, atuando em nome da nossa institutição perante a sociedade. Mas parece que ele não liga muito pra isso. Além de não ter um carro digno de um homem de Deus, nunca quis morar num dos bairros mais chiques da cidade e nem vestir as roupas de algumas das principais lojas como lhe aconselhamos. Você sabe que isso é fundamental para se penetrar na sociedade!

Pessoalmente eu fiquei muito triste, pois no seu aniversário, eu mesmo lhe dei uma camisa de grife e logo depois a vi sendo usada por aquele “João ninguém desempregado” no dia do casamento da sua filha. Até reconheço que ele abençoou o irmão numa ocasião tão significante, mas ele não podia ter feito isso. Eu lhe dei aquela camisa e esperava vê-lo pregando com ela no dia do aniversário da igreja.

Foi exatamente aí a gota d´água. Justamente no dia da celebração do aniversário da igreja ele pediu licença para ausentar-se, a fim de estar com a família do seu amigo Lazaroni, que havia morrido. Questionado, chegou a sugerir que não houvesse a reunião e que todos fossem com ele. Foi uma total decepção para nós da liderança. Quase não acreditamos. Estava tudo planejado para ele pregar naquela noite com vistas à presidência da nossa denominação e da Associação de pastores da cidade. Tudo indicava que ele nem pensava nesse tipo de influência. Mesmo nas poucas reuniões administrativas que participou praticamente obrigado, nunca sequer opinou sobre as nossas estruturas, metas e ações do planejamento estratégico e nem mesmo quanto as questões litúrgicas. Ao sair, ainda lembrou-se do que sempre ensinava: melhor é freqüentar funerais do que festas.

Aqui para nós, ele sempre perdeu muito tempo com as pessoas, ao invés de priorizar as atividades pertinentes as suas funções, tão necessárias à vida da igreja.

Depois dessa tamanha decepção, começamos a enxergar a sua inadequação por não preencher alguns dos principais requisitos do perfil que sempre traçamos para os candidatos a pastores da nossa amada igreja: ele é solteiro, com menos de cinco anos de exercício no ministério, e não possui formação teológica. Só assim conseguimos convencer a maior parte da igreja a nos apoiar nessa decisão. Acertadamente o substituímos por um doutor em divindade, além de mestre em espiritualidade no antigo e novo testamentos, e também bacharel pelo nosso seminário.

Depois que ele saiu, confesso que fiquei inicialmente um pouco preocupado com o seu sustento, mas logo lembrei que ele possui outra profissão: é marceneiro. Certamente se dará bem. Quanto aos irmãos, na realidade, muitos estão pensando como eu. Quando necessitarmos de um amigo verdadeiro é só convidá-lo para um bom bate-papo regado a um bom vinho em torno de uma saborosa refeição. Ao final de toda essa explicação, descobri algo maravilhoso e libertador: definitivamente essa não é a minha igreja e Ele continua sendo o meu pastor.

(Qualquer semelhança desta ficção com a vida eclesial dita “normal” não é mera coincidência. Desejo promover uma reflexão sobre o que Jesus possivelmente abominaria em nosso meio).

Augusto Guedes reside em Fortaleza-CE, onde tem
procurado exercer ministério na vida comum, trabalhando no mercado imobiliário,
freqüentando uma comunidade de discípulos, atuando no Instituto Ser Adorador e
vivendo.

Retirado de http://www.cristianismocriativo.com.br

Servos

Publicado: 06/11/2009 em Espiritualidade
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Composição: Paulo Cezar (Grupo Logos)

Olhando grandes servos do passado
E observando agora os nossos dias
Eu temo que tanta euforia,
Se rompa no teste do amor.

Olhando grandes servos do passado
E observando agora os nossos dias
Eu temo que tanta euforia,
Se rompa no teste do amor.

Até porque a alegria não é
O indicador verdadeiro da paz.
Há sorridentes bebendo as próprias
Lágrimas do coração.

Olhando nossas vidas hoje em dia
Pergunto a mim mesmo até que ponto
Eu tomaria a cruz e seguiria
Aquele a quem chamo se Senhor?

Até porque resultados não são
O indicador verdadeiro de aprovação.
Há quem curou e o diabo expulsou
Mas Jesus nunca o conheceu!

Olhando a atitude a ser seguida
De quem se desenrola do embaraço
Me sinto mais seguro passo a passo
Vivendo para agradar (a) Jesus.

Até porque Ele se humilhou
E suportou a agonia da cruz.
Não prá que eu seja um artista, um destaque
Mas simplesmente uma luz.

Repete:
Não prá que eu seja um artista, um destaque
Mas simplesmente uma luz.

Escrito por Ariovaldo Ramos

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.42-47).

No versículo 45 (“Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”), há um princípio de ação da igreja de Cristo, que é absolutamente moderno, absolutamente revolucionário, absolutamente de vanguarda, embora tenha sido praticado há dois mil anos. E que princípio é esse? É o princípio do direito.

A filantropia está sustentada no postulado de que a pessoa que a exerce abençoa o necessitado segundo suas posses. É o filantropo quem decide o que vai doar, quando vai doar e em que quantidade vai doar. Esse é o princípio da benemerência.

Porém, está escrito: “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. O princípio aqui é que o necessitado dava o tom da ação da igreja. A igreja se via como responsável por suprir a necessidade dos irmãos. O princípio do direito está estabelecido. Não é a igreja que determina com quanto vai ajudar, nem como vai ajudar e nem quando vai ajudar, é a necessidade do beneficiado que impõe à igreja o que esta tem de fazer. Fica aqui estabelecida uma relação de direito e dever, na qual o necessitado era visto como um sujeito de direito e a igreja era vista como sujeito de dever. É dever da igreja satisfazer a necessidade do irmão carente.

Esse princípio, há 2.000 mil anos, era uma revolução, mesmo porque o direito só veio a ser realmente pensado com mais critério a partir do século 18. Até então, a idéia de direito era algo inexistente, com exceção de um lugar: a igreja primitiva. Isso é absolutamente revolucionário e significa que a igreja de Jesus Cristo foi o primeiro instituto humano a trabalhar com a premissa do direito. O caminho que a igreja escolheu na época foi a comunização, ou seja, todo mundo vende seus bens, coloca aos pés dos apóstolos, e estes administram o montante para satisfazer a necessidade de todos. O princípio com o qual a igreja trabalhava, portanto era o princípio da igualdade. O apóstolo Paulo diz em Coríntios, de forma literal, para ajudarmos os outros, de maneira a satisfazer as necessidades do outro. Esse princípio do direito desenvolveu na igreja uma série de considerações muito interessantes. A primeira diz que o princípio do direito está estabelecido que o irmão necessitado tem o direito de ser satisfeito na sua necessidade. Basta você se lembrar que os diáconos só existem porque a igreja tinha o primado do direito. As viúvas helênicas reclamaram que não estavam sendo satisfeitas no seu direito de serem assistidas. Os apóstolos então se reuniram e decidiram que era preciso constituir um corpo de ministros que se dedicasse única e exclusivamente a manter esse estado de direito vigendo.

A igreja primitiva estava milênios à frente do seu tempo, pois elegeu um corpo de ministros, sete pessoas, da melhor qualidade na igreja, com um único objetivo: manter a justiça social, não permitir que ninguém fosse preterido na satisfação das suas necessidades. Essa era a visão da igreja primitiva. Baseado nessa mesma visão, o apóstolo Paulo disse que o princípio era que, aquele que colheu demais não tenha sobrando para que o que colheu de menos não sinta necessidade, e o objetivo não é que um seja pesado ao outro, mas sim que haja igualdade. Isso significa que a igreja tinha um outro conceito,  todos trabalhando por todos. Havia, dessa forma, na igreja primitiva um sistema de trabalho com um objetivo comunitário. O apóstolo Paulo, em Efésios, diz: “Aquele que furtava não furte mais, antes trabalhe para que tenha com o que acudir ao necessitado.” O que é muito interessante. Se este versículo fosse escrito da seguinte maneira: “Aquele que furtava não furte mais, antes trabalhe para que tenha com que pagar as suas próprias contas”, achariamos muito bom. Mas ele foi muito mais longe. Com isso o apóstolo Paulo está nos ensinando na Bíblia que, o contrário de roubo não é honestidade pessoal, é responsabilizar-se pelo patrimônio do outro, para que o outro tenha patrimônio. Essa colocação é absolutamente lógica, porque a igreja se vê como um corpo, e a idéia de corpo é que está todo mundo trabalhando para todo mundo. Pense: qual é a parte mais importante do seu corpo num determinado momento? Aquela parte que estiver doendo ou ferida, porque todo o corpo vai estar voltado para ela. Todo o seu esforço estará voltado para tal parte. Se você levar um pisão, o seu corpo todo só vai pensar no seu pé, e vai fazer tudo em função do seu pé. Se você for um daqueles marceneiros desastrados e meter uma martelada no dedão, o seu corpo todo vai viver para o seu dedo. Para o seu polegar. Qual é o princípio do corpo? O princípio de que todos trabalham por todos. Você não diz: “Eu estou com um problema aqui no dedão do pé, mas não tem problema, eu tenho mais nove e não estou nem um pouco preocupado se eu perder esse aqui”. Nunca ouvi ninguém falar isso. Você pode tentar ser o primeiro, mas eu não te aconselho! Porque não é esse o princípio da igreja, o princípio da igreja é o princípio do corpo. A igreja primitiva levou isso a ferro e a fogo na época.

Eu não estou sugerindo a retomada das estratégias que a igreja primitiva usou. Eu estou tentando chamar a atenção para um princípio. Em cada geração, em cada lugar, em cada época esse princípio vai ter de ser trabalhado pela igreja de então. para descobrir como a igreja de agora pode trabalhar esse princípio.

A existência de um movimento como o RENAS é a consciência de que alguém tem um direito que não está sendo satisfeito, observado. Alguém tem necessidade que não está sendo satisfeita. Alguém tem uma carência, e esse ser tem o direito de ser assistido. Esse é o princípio da igreja de Cristo, sempre foi.

Todos nós estamos cooperando uns com os outros, de modo que somos responsáveis uns pelos outros. Na mutualidade cristã, eu sou responsável por você e você é responsável por mim. E quando for a vez de eu socorrê-lo, eu o socorrerei e quando for a sua vez me socorrer, você me socorrerá. Tem-se assim uma cooperativa.

Pelas palavras de Paulo, a igreja primitiva é uma cooperativa. Você tem que entrar na cooperativa cristã, viver a vida cristã é viver em cooperativa. É dito que não se pode amordaçar o boi que debulha o trigo (uma frase que é do Antigo Testamento, retomada no Novo Testamento), ou seja, você tem de deixar o boi comer dos grãos que ele está debulhando. É o princípio de que o trabalhador tem que ser o primeiro a desfrutar do resultado do seu trabalho. Paulo diz isso de forma tácita nas cartas pastorais, quando ele afirma que o trabalhador é digno do seu salário e tem de participar daquilo que está produzindo. Ou seja, a igreja primitiva é a primeira que tem a noção da participação do trabalhador na distribuição de lucros, como nós diríamos hoje, porque o trabalhador tem o direito de participar do fruto do seu trabalho. Nessa concepção do Novo Testamento, o sujeito não pode ser simplesmente contratado, explorado em sua força de trabalho e aí dispensado sem ter qualquer acesso ao que ele ajudou a produzir, ou seja, a produção não é algo que se faça numa relação de prestação de serviço, pura e simplesmente. A produção é um projeto que tem de ser comum ao que elaborou o projeto e ao que participa da execução do mesmo, que o torna possível. Ao ler as Escrituras com isso em mente, você percebe que entrou num negócio ultra de vanguarda. Porque a igreja pode ser o instituto mais antigo da terra, mas é o que sempre esteve na vanguarda. E ainda hoje as concepções que estão no Novo Testamento, as concepções da igreja primitiva estão a frente do nosso tempo. Quando lemos as escrituras, percebemos que há um sistema de pensamento nas mesmas, as frases não estão soltas. Isso porque fomos influenciados pelo grego, que é retórico. Porém, o hebreu não é retórico, a cultura hebraica não é uma cultura de retórica. É uma cultura de revelação, de trazer à luz a vontade de Deus, a Palavra de Deus. A palavra para o hebreu é sagrada; para o grego é um instrumento de convencimento, de argumentação.

Eu li certa vez uma série de palestras que Borges, um escritor argentino, deu numa universidade. Ele diz, entre outras coisas, que o livro é um débito que o mundo tem para com a tradição judaico-cristã. Todo mundo pensa que o livro é produto dos gregos. Isso não é verdade, porque os gregos não valorizavam o livro da maneira como acreditamos. Ele cita, inclusive, Pitágoras, que exigia que os seus discípulos não escrevessem nada, porque entendia que a idéia, uma vez escrita, morria. Para esse pensador, a vida da idéia estava na tradição oral, em ser mantida viva na cabeça dos seus discípulos. A tradição judaico-cristã é que diz que o livro é tão sagrado, que, até Deus resolveu escrever um. Então se você quer que alguma coisa permaneça, se você quer que alguma coisa tenha realmente vida e vá para além de si, você tem de escrever um livro. Isso quem ensinou, disse Borges, foram os cristãos. Os muçulmanos, uma derivação da tradição judaico-cristã, nos disseram que temos que escrever um livro se quisermos que a coisa seja perene.

Estudei com um professor de uma faculdade hebraica. Discutimos sobre Maimonides, o principal filósofo da Idade Média. Aquele professor tinha uma tese muito interessante, ele dizia o seguinte: o Ocidente não é o resultado do encontro da tradição judaico-cristã com a tradição greco-romana. O Ocidente é o resultado do confronto entre a tradição judaico-cristã e a tradição greco-romana; essas duas tradições se encontraram na história e entraram em choque. Ele descrevia assim: Alexandre, na sua campanha de helenização do mundo, não encontrou obstáculos, até chegar no Oriente Médio. Quando chegou em Israel, encontrou outra cultura capaz de opor-se à dele, que tinha os seus sábios, seus profetas, seus poetas, suas teses, sua cosmologia, sua antropologia e sua ontologia. Quando Alexandre e seus seguidores começaram a abrir Platão, Sócrates, Parnêmides, etc. os judeus começaram a abrir Isaías, Jeremias, Ezequiel, Davi, Moisés contrapondo-se à filosofia helênica. Os helênicos diziam: “o homem é assim” e os judeus diziam: “não, não é assim, é assado”. Os gregos falavam: “porque os deuses…” e os judeus diziam: “não há deuses, há um Deus só”. Quem escreveu isso da forma mais impressionante, na minha opinião, foi o professor de filosofia Will Durant. Ele expôs da seguinte maneira: Júlio César e Jesus de Nazaré se encontraram no Coliseu romano, e Jesus de Nazaré venceu. A fé cristã está sempre na vanguarda, a tradição judaico-cristã está sempre na vanguarda.

Eu queria chamar a atenção de vocês para o fato de que estamos na vanguarda da questão do direito, da questão da cooperativa, da questão da economia solidária. Há dois mil anos nós estamos dizendo que o necessitado é um sujeito de direito, e portanto tem de ser satisfeito na sua necessidade, que o trabalho humano tem de ser cooperativo, que o segredo é a solidariedade e o alvo é a igualdade. Por isso, e nesse sentido, a fé cristã leva uma vantagem. Quando a tradição judaico-cristã estabelece o princípio do direito e da cooperativa, relativiza a posse do meio de produção. Porque não importa quem esteja atuando ou administrando os meios de produção, pois estes sempre possuem um fim social. É a idéia dos dons: nós temos dons diferentes, ministérios diferentes, mas somos uma cooperativa. Não importa quem está administrando, pois está administrando para todos; não importa quem está carregando, está carregando para todos; não importa quem está abrindo caminho, pois está abrindo caminho para todos. Porque a oração cristã é o Pai Nosso, ou seja: ninguém entra na presença de Deus sozinho. Todo mundo fala pessoalmente com Deus, mas não solitariamente, a gente sempre entra com os irmãos. Ou entra com os irmãos ou não entra, porque a oração é Pai Nosso. Não dá para dizer Pai Nosso se você não se sente parte de algo muito maior do que você, se você não se sente parte de uma comunidade. Não dá para dizer Pai Nosso, se você não aprendeu a se entender apenas e tão somente a partir da comunidade. Porque essa é a grande virtude da fé cristã, entre outras.

A fé cristã é absolutamente gregária, absolutamente comunitária. Não nos entendemos mais como indivíduos isolados. Todo pão é pão nosso; todo perdão é perdão nosso; toda vitória é vitória nossa; todo produto é produto nosso, toda benção é benção nossa e todo o resultado é resultado para nós. Porque nós sabemos que a verdadeira identidade de cada um está no relacionamento. Você é no meio de todos, você precisa ser percebido e perceber, e você está inserido numa dinâmica comunitária. Queria então chamá-los à atenção para o fato de que esse é um princípio que está nas Escrituras desde sempre, e fiz questão de só citar o Novo Testamento, pelo menos majoritariamente, porque a maioria de nós que falamos sobre justiça social, recorremos ao Antigo Testamento, aos profetas menores, etc. Está tudo certo, mas às vezes passa a impressão de que aqueles que têm esse discurso têm um discurso velho testamentário. Por isso menciono o Novo Testamento, pois é nele que temos o princípio do direito, é nele que está o princípio da cooperativa e igualdade. É no Novo Testamento que está o princípio da comunidade e do homem coletivo. Então, paro por aqui, revisando o que foi dito. Primeiro: que a igreja primitiva trabalhava com a noção do direito, foi o primeiro instituto humano a trabalhar com essa noção. O ser necessitado é um ser de direito, ele tem o direito de ter a sua necessidade satisfeita e a igreja se via no dever de satisfazê-la. Segundo: a igreja tinha o princípio da cooperativa, todos trabalhando por todos. Então, quando Paulo disse “aquele que não trabalha, não coma”, ele não estava fazendo uma crítica capitalista. Ele estava fazendo uma crítica a partir da cooperativa. O que Paulo está dizendo é que você tem que estar na cooperativa. Você não pode chegar só para desfrutar dos benefícios, a menos que você tenha capacidade de trabalho. Se você tem a capacidade de trabalho, você está na cooperativa, onde todos trabalham para ter com o que acudir ao necessitado. Para que o necessitado, uma vez recuperado, entre na cooperativa. O objetivo é a igualdade e os dons, e os ministérios são dados nessa perspectiva.

Embora com dons e ministérios diferentes, temos um só alvo, um só objetivo. Essa é a mutualidade cristã. Como podemos perceber, Jesus Cristo não semeou apenas gente nascida de novo, ele também semeou uma sociedade nova, inclusive uma sociedade cujo princípio de autoridade não era mais o poder, mas o serviço. Quando notamos que por trás da mensagem de Cristo e de seus apóstolos há um conceito cooperativo profundo, o princípio da autoridade estar sustentado no princípio do serviço faz todo o sentido. Então, quem quiser ser o maior entre todos, seja servo de todos, que é o princípio da cooperativa, o trabalho para todo mundo e por todo mundo.

Imagine então a dinâmica que Jesus Cristo preparou, que Jesus Cristo semeou e trouxe à luz em suas mensagens, em sua pregação e em seu estilo de vida. Ele trouxe à luz uma revolução! Uma revolução de amor que gera uma cooperativa tão eficaz que, nem quando o sujeito entra no seu quarto para orar ao seu Deus, ele sai da cooperativa pois quando começa a falar com o seu Deus dizendo “Pai Nosso, que estás nos céus”; ele não se vê mais fora da cooperativa, ele está nessa roda extraordinária de mutualidade. Isso foi pregado por Paulo em Efésios 6, que diz para orarmos por todos os santos, é para suplicarmos por todos os santos o tempo todo.

Nenhum apóstolo de Cristo tinha uma visão que não fosse cooperativa. Nenhum apóstolo de Cristo falou fora do princípio cooperativo. Somos um: a comunidade, o corpo de Cristo, a Noiva, o exército de Deus, a cooperativa. Cristo é o cabeça, nós somos os membros do seu corpo, ele exerce o seu domínio no universo através do corpo dele, que é comandado por ele e que é uma cooperativa entre si. A sinalização do Reino é justamente a transmutação desses valores, levando-os de dentro da comunidade cristã para toda a realidade humana. Foi assim que os cristãos derrotaram o Império Romano. Eles criaram e viveram em um sistema alternativo, e à medida que eles iam crescendo, isso ia solapando as bases do Império, e quando este se deu conta, os cristãos tinham derrubado a estrutura. Imagine que você é um romano e está no campo choramingando, chega um escravo seu e diz: “Senhor, o que está acontecendo?” Aí você desabafa, ele fala de Cristo e você leva um susto. Você entrega a vida para Cristo, aí ele fala da reunião da igreja. Daí você vai para a reunião da igreja e quando você lá chega, aquele escravo, seu escravo, é o seu presbítero. Como você acha que vai ser o seu relacionamento com ele na segunda-feira? A escravidão acaba ali! E aí os outros romanos e os seus amigos chegam e começam a notar que tudo é comum. Os seus escravos entram na casa como se a casa fosse deles, eles conversam entre si, você conversa com eles de igual para igual. Então o seu amigo romano diz: “escuta, o que está acontecendo aqui? Você deixa os seus escravos andarem assim?” E você é obrigado a dizer: “eles não são mais meus escravos, eles são meus irmãos. Acabou-se o sistema. Agora nós somos parte da mesma cooperativa de Cristo, nós estamos trabalhando uns pelos outros, tudo aqui é de todos nós. Acabou o sistema, pronto”. É você dar três séculos que o mundo romano está desesperado, sem saber o que está acontecendo, os imperadores desesperados, percebendo que o Império não está mais nas mãos deles. Foi isso o que Jesus Cristo semeou e que os apóstolos dele fizeram. Como nós somos os seguidores contemporâneos de Jesus, acho que é de bom tom voltarmos a sentar diante das Escrituras para perguntar: “Senhor, então como é que nós devemos viver? O que é que somos realmente? Por que é que o Senhor tem nos abençoado, mesmo?” Quem sabe nós redescubramos a revolução cristã. A extraordinária, insuperável e ilimitável, porque movida e sustentada pelo Espírito de Deus. É isso o que eu queria deixar para vocês pensarem. Já que nós estamos falando de desenvolvimento sustentável, eu queria deixar claro para vocês que o pessoal não está inventando a roda, eles estão subindo na nossa carruagem.