DESAFIOS DA PÓS-MODERNIDADE PARA O NOVO CALVINISMO: Qual é a função da teologia?

Publicado: 26/10/2010 em Sem categoria

por Leandro Antonio de Lima

Costuma-se dizer: “Repetir sem entender é coisa de papagaio”. Os donos de papagaios domesticam os pássaros para que repitam palavras decoradas. As vezes se pensa que os papagaios estão sendo inteligentes por repetirem aquilo que foram condicionados. Mas a verdade é que as pobres aves literalmente “não sabem o que estão falando”. Pensamos que muitas vezes uma cena semelhante pode ocorrer na igreja. Os líderes eclesiásticos fazem as pessoas engolirem um tipo de cristianismo sem lhes dar explicações convincentes sobre o que estão ensinando, e sem demonstrar que seus ensinos têm base na Palavra de Deus. Essa teologia é imposta por causa do carisma do líder ou por causa do grupo que ele representa (tradição). E estes “pobres cristãos” saem por aí repetindo ensinos que foram condicionados a repetir. Talvez nunca pensam sobre eles.

Um cristão deveria ser alguém com discernimento. Não poderia engolir tudo que ouvisse por aí sem considerar atentamente o que está ouvindo. O caos da irracionalidade moderna não deveria atingir a fé. Mas infelizmente, hoje em dia, as grandes doutrinas da Palavra de Deus estão quase esquecidas. Em geral, as pessoas sabem muito pouco sobre os atributos de Deus, as naturezas de Cristo, ou sobre o verdadeiro significado do batismo com o Espírito Santo. E quando sabem, parecem não ter muito interesse a respeito. Se as questões escatológicas causam discussão, por outro lado são apenas superficiais, em assuntos selecionados, e muito mais voltadas para especulações sobre o milênio ou o arrebatamento do que para conteúdo substancial. Uma das razões dessa falta de conteúdo tem a ver com as obras teológicas publicadas. Boas obras de teologia, muitas vezes, estão em linguagem inacessível para os não iniciados. Enquanto isso as prateleiras das livrarias cristãs estão cheias de livros de auto-ajuda, que prometem soluções milagrosas em apenas “alguns passos”, mas que não trazem verdadeiro crescimento na graça e no conhecimento de Deus (2Pe 3.18).

O fato é que ser cristão hoje está se tornando apenas questão de sentimentalismo. E as vezes, até de gosto pessoal. No senso comum dos nossos dias, o cristão verdadeiro não é aquele que “sabe” mais, e sim aquele que “sente” mais (teve “experiências”). A ênfase no sentimentalismo é uma das marcas do relativismo do mundo pós-moderno. Até porque, sentimentos são coisas extremamente subjetivas e relativas.

A fé deve ser bem fundamentada e amplamente convincente não somente no aspecto emocional, mas também no racional. Como diz Michael Horton, todo cristão deveria ser indisposto a aceitar com o coração uma fé que falha em convencer sua mente. Mas a verdade é que, muitas vezes, a igreja se torna o local onde as mentes são menos exigidas.

Infelizmente, muitos cristãos são acostumados a não pensar a respeito de sua fé. São como papagaios, ensinados a repetir coisas que não entendem, apenas para causar admiração nos outros. Nestes tempos quando a autojustificação ou a auto-ajuda têm dominado a pregação, as publicações e os programas televisionados, precisamos urgentemente de um retorno para a mensagem da graça, para a mensagem do comprometimento bíblico-teológico. Nosso sentido e propósito, como indivíduos e como igreja, dependem largamente de quão claramente compreendermos as verdades sobre quem Deus é, quem nós somos, e o que o plano de Deus para a história envolve. E esse é o papel da teologia.

Mesmo sabendo da complexidade de muitos dos assuntos que serão considerados aqui, objetivamos dialogar sobre questões que fazem parte do dia-a-dia dos crentes (aqueles que têm fé) e mesmo dos não-crentes. Não queremos tratar de assuntos teológicos como se nada tivessem a ver com a vida prática das pessoas. O que se pretende é uma análise sincera, de uma perspectiva bíblica, sobre assuntos selecionados que são vitais para um verdadeiro conhecimento de Deus, e uma vida cristã frutífera.

O estudante de teologia nunca pode se esquecer de um princípio fundamental: Sua teologia precisa servir para alguma coisa. Podemos perceber um excesso de abstrações teológicas em muitas obras, profundo conhecimento histórico e pesquisa séria, porém, pouca aplicação. Enquanto os “intelectuais” cristãos se deliciam com manjares, é possível que o povo simples esteja sem o alimento de que tanto precisa. Precisamos mais do que nunca traduzir a teologia para a linguagem do povo, uma teologia com aplicação prática. O objetivo desses estudos é conhecer melhor o Deus das Escrituras para desenvolver um relacionamento melhor com ele, ou seja, teologia para a vida.

Entendimentos errôneos acerca de Deus têm minado a verdadeira religião nos quatro cantos do mundo, introduzindo erros e heresias destruidoras na vida individual do povo de Deus e também em denominações inteiras. Conhecer doutrina não é coisa sem importância, é assunto fundamental para os dias em que vivemos. Um “calvinismo novo” não traz necessarimente novas doutrinas, mas se preocupa em tornar as antigas doutrinas da Palavra de Deus acessíveis para as pessoas de hoje.

Nos próximos posts falaremos a respeito de como o Novo Calvinismo precisa lidar com os desafios da época atual.

Fonte: http://novocalvinismo.blogspot.com/

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